Investigação revela corrupção no Pentágono

Um departamento do Pentágono terá encomendado centenas de silenciadores a um mecânico automóvel, a quem pagou um preço muito inflacionado. A investigação deste caso veio revelar uma teia de corrupção dentro do Pentágono.

Os julgamentos vão começar este mês, mas há quase dois anos que se investiga o caso dos 349 silenciadores que foram encomendados por um pequeno escritório do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, com sede no Pentágono.

Esta divisão do Departamento da Defesa tem menos de dez empregados, e deveria cumprir apenas funções de secretariado e ocupar-se de questões políticas. No entanto, a investigação acerca da encomenda destes silenciadores tem revelado muitos segredos.

Conforme reporta segunda-feira o Washington Post, os silenciadores encomendados eram especiais por não terem marcas que permitissem identificar de onde provinham. Estes acessórios foram encomendados a um mecânico automóvel da Califórnia, irmão do chefe da divisão que fez encomenda, a quem foram pagos 1,6 milhões de dólares (1,2 milhões de euros), muito embora os silenciadores, em mão-de-obra e materiais, só custassem perto de 10 mil dólares.

Muita da documentação acerca do caso permanece fechada por questões de segurança nacional. No entanto, o Washington Post avança que a principal questão a averiguar nestes julgamentos será se os silenciadores foram encomendados para uma missão secreta mas oficial, ou se teriam algum outro propósito clandestino.

Um dos dirigentes da divisão terá dito a uma testemunha, segundo os papéis entregues pela acusação e citados pelo Post, que os silenciadores eram para a SEAL Team 6, a equipa de intervenção que organizou a operação que matou Osama Bin Laden. Porém, os representantes da SEAL Team 6 dizem não os ter encomendado nem nunca os terem recebido.

Terão também sido destruídas provas que poderiam ser incriminadoras neste caso. O ano passado, agentes da Marinha incineraram documentos que vinham dos escritórios desta divisão no Pentágono, alegando que não teriam interesse para o caso, estando este já em aberto. Além disto, foi destruído um conjunto secreto de armas de fabrico estrangeiro, armazenadas nos Estados Unidos, a que alegadamente serviriam os silenciadores.

Uma fonte anónima explicou ao Post que armas de fabrico estrangeiro equipadas com estes silenciadores sem marcas poderiam ser usadas por forças especiais dos EUA ou por guerrilhas equipadas pelos EUA sem have risco que se soubesse de onde provinham.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.