Grupo de rebeldes deixa Syriza e torna-se a terceira maior força política da Grécia

Recém-criada União Popular passou à frente da Aurora Dourada e deve ser mandatada para formar governo caso a Nova Democracia não consiga, até amanhã, fazê-lo

Panagiotis Lafazanis formalizou ontem a sua separação de Alexis Tsipras ao anunciar a formação do União Popular, que tem entre os seus membros 25 deputados dissidentes do Syriza pertencentes à Plataforma de Esquerda. Este novo grupo passa a ser a terceira maior força do Parlamento, ficando à frente dos neonazis da Aurora Dourada, e ganhando o direito a receber um mandato do presidente para tentar formar governo caso a Nova Democracia não o consiga fazer até amanhã. "É óbvio que iremos receber o terceiro mandato exploratório e iremos esgotar todas as oportunidades para esclarecer o potencial de abolir o memorando", declarou ao Mega Channel o ex-ministro adjunto da Defesa Kostas Isichos.

Lafazanis disse que o movimento que lidera oferece uma "alternativa realista ao memorando" e que os seus objetivos são, obviamente, cancelar os memorandos, e aliviar a dívida grega. "O país não pode respirar e manter-se de pé a menos que uma grande parte da sua dívida seja cancelada", declarou o ex-ministro da Energia.

"Vamos tornar-nos numa grande e decisiva força política após as eleições", prosseguiu o matemático, sublinhando que os 25 deputados do União Popular, cujo programa será apresentado nos próximos dias, irão "tentar expressar o espírito e a substância dos 62% que votaram "Não" à austeridade".

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.