FMI não quer entrar em eventuais novos resgates gregos

Governo de Alexis Tsipras pagou ontem, a custo, mais um reembolso ao fundo. Este quererá sair da "troika" e estará a preparar países vizinhos para eventual incumprimento grego.

O tema é uma espécie de tabu entre os dirigentes políticos, mas nem por isso os media deixam de falar na possibilidade de um terceiro resgate para a Grécia. Porém, no caso de ele vir a ocorrer, o Fundo Monetário Internacional não quer mais participar na troika, noticiou ontem o jornal 'El Mundo'.

A ausência de reformas efetivas por parte do governo grego pode levar o fundo a deixar os parceiros europeus sozinhos num terceiro resgate que poderá chegar aos 50 mil milhões de euros. Desde 2010, Atenas já pediu dois resgates no valor de 240 mil milhões. A última tranche, de 7,2 mil milhões, está bloqueada e à espera de acordo entre o executivo grego e os credores: FMI, BCE e Comissão Europeia.

A ausência de acordo está mesmo a deixar a Grécia com sérios problemas de liquidez. Ontem, para reembolsar 750 milhões ao FMI, o governo dominado pelo Syriza e liderado por Alexis Tsipras, teve que ir buscar dinheiro ao fundo de emergência do Banco da Grécia, criado para "necessidades extraordinárias", disse fonte do banco central grego citada pela AFP. Desse fundo - que conta com transferências obrigatórias feitas pelas autarquias e dos organismos públicos - vieram cerca de 600 milhões de euros, por autorização do governador do Banco da Grécia Yannis Stournaras. Os restantes 90 milhões de euros foram canalizados pelo Estado grego.

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João Gobern

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