Ex-vice-primeiro-ministro espanhol detido por fraude e branqueamento de capitais

Rodrigo Rato foi o n.º 2 do governo de José Maria Aznar entre 1996 e 2004 e depois foi diretor-geral do FMI. Foi detido hoje, três horas depois de buscas à sua casa.

As autoridades espanholas fizeram hoje uma busca à casa do antigo vice-primeiro-ministro espanhol Rodrigo Rato. Ao fim de três horas, deixou a sua casa em Madrid escoltado pela polícia para prestar depoimento, tendo acabado detido, acusado de fraude, branqueamento de capitais e ocultação de bens.

Rodrigo Rato foi vice-primeiro-ministro José Maria Aznar entre 1996 e 2004. Depois, até 2007, foi diretor-geral do FMI, cargo em que foi substituído por Dominique Strauss-Khan.

À saída de sua casa, Rodrigo rato não estava algemado, mas acompanhado de vários agentes. Um deles ajudou-o a entrar no carro, colocando-lhe a mão na nuca.

Os agentes que efetuaram a busca na casa de Rato, no bairro de Salamanca, na capital espanhola, saíram com, pelo menos, quatro caixas com documentos.

Segundo um comunicado da procuradoria espanhola, a investigação envolve outras pessoas. As buscas terão ocorrido na sequência de uma denúncia.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?