Engenheira civil é a primeira mulher presidente da câmara de Bagdad

Iraque. A capital do país, com 1252 anos de história, é a pior cidade no ranking da qualidade de vida da consultora Mercer. Thikra Alwash espera mudar isso e ao mesmo tempo dar uma nova voz às mulheres na política

Num país onde há apenas duas ministras, num governo com 29 pastas, e 83 deputadas - sendo que só 22 tiveram os votos para ser eleitas (as outras chegaram ao Parlamento por causa do sistema de quotas que obriga que 25% dos lugares seja entregue ao sexo feminino) - a nomeação de uma mulher para a presidência da câmara de Bagdad é um passo positivo num mundo dominado pelos homens. Thikra Alwash, doutorada em engenharia civil, é a primeira mulher à frente da câmara da capital iraquiana em 1252 anos de história.

A até agora diretora do departamento de projetos no Ministério do Ensino Superior foi a escolhida pelo primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi (no poder desde setembro), para substituir o polémico autarca Naeem Aboub. Nascida em Hilla, cem quilómetros a sul de Bagdad, Thikra Alwash não tem qualquer vinculação partidária, segundo as informações dos media internacionais, e é vista como uma competente tecnocrata. O cargo que ocupa é apenas interino, já que o parlamento tem que aprovar a sua nomeação para o tornar oficial. Contudo, o anterior presidente da câmara nunca teve essa aprovação e foi sempre "interino".

Leia mais na edição impressa ou no epaper do DN.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.