Egito nega ter proibido entrada da advogada Amal Clooney no país

Amal Clooney, mulher de George Clooney, disse ter sido ameaçada de prisão pelas autoridades egípcias devido a relatório crítico sobre o sistema judiciário no país.

O Egito negou hoje ter proibido a entrada no país da advogada Amal Clooney, que disse ter sido ameaçada de prisão pelas autoridades egípcias, quando estava prestes a publicar um relatório crítico sobre o sistema judiciário egípcio.

"As autoridades egípcias não impediram a Sra. Clooney de vir ao Egito, não existe nenhuma medida que impeça a sua vinda", assegurou o ministério da Interior egípcio num comunicado divulgado pela agência de notícias oficial Mena.

Numa entrevista publicada no sábado no diário britânico The Guardian, Amal Clooney, mulher do ator George Clooney, disse ter sido ameaçada de prisão em fevereiro de 2014 quando estava prestes a publicar o relatório.

Amal Clooney, que se tornou desde então na representante legal de um dos jornalistas da Al-Jazeera detidos no Cairo, avançava no relatório, elaborado em nome da International Bar Association, que o sistema judiciário egípcio devia ganhar independência.

"No momento do lançamento deste relatório, eles começaram por nos impedir de o fazer no Cairo. Perguntaram: 'O relatório critica o exército, o sistema judiciário ou o Governo?', e nós respondemos: 'Sim'. 'Então nesse caso, arriscam-se a ser presos", disseram-nos'", contou a advogada ao jornal.

O relatório acabou por ser publicado a 10 de fevereiro do ano passado em Londres.

O porta-voz do ministério do Interior, Hani Abdel Latif questionou a origem da alegada ameaça, defendendo que Amal Clooney "deveria dizer exatamente" quem a ameaçou.

"Por que não especifica desde o início quem lhe disse isso?", questionou Hani Abdel Latif, acrescentando: "Não temos nada contra ela".

A advogada concedeu a entrevista depois de o tribunal egípcio ter ordenado na quinta-feira um novo julgamento para os três jornalistas da Al Jazeera, presos no Egito há um ano.

Condenados a penas entre sete e dez anos de prisão, o egípcio-canadiano Mohamed Fadel Fahmy, defendido por Amal Clooney, o australiano Peter Greste e o egípcio Mohamed Baher são acusados de apoiar a irmandade islamista dos Irmãos Muçulmanos e permanecem detidos.

De acordo com Amal Clooney, os três homens são vítimas de um sistema em que os juízes são nomeados pelo Governo.

Quanto ao novo julgamento, Amal Clooney está pessimista. "Se o princípio é o de que houve erros, mas o novo julgamento vai assentar nas mesmas bases do primeiro, então este não vai significar grande coisa", comentou.

A advogada acredita na possibilidade de expulsão do seu cliente egípcio-canadiano do país, conforme permite uma nova lei promulgada em novembro.

"A partir do momento que há um desejo real de avançar em ambos os lados, não vejo por que razão não poderia ter lugar uma expulsão muito rapidamente", disse.

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