E a alegria mudou-se em incerteza

Agora, na Grécia - na Europa, portanto - todos os dias são D. Ontem a reação dos "mercados", a demissão de Varoufakis, o anúncio de que os bancos não abrirão hoje, Merkel e Hollande reunidos. Hoje, a reunião do Eurogrupo. Tão grande como a vitória dos oxi é o receio de que toda a sua esperança seja em vão

"Vitória? Não quero usar essa palavra. Isto não é uma guerra." Malda, 29 anos, estudante de doutoramento, está a sair da sua faculdade, na praça Klathmonos, onde anteontem começou a celebração do oxi. "Vim festejar, sim. Mas não penso que as coisas vão mudar dramaticamente para melhor em consequência do referendo. Acho que o não serviu sobretudo para mostrar que estamos vivos. Agora se vai servir para mais... Não sei. Mas pelo menos temos um PM que se preocupa connosco." Perder o ministro estrela das Finanças deixou-a triste: "Ainda não tive tempo de ler nada, ia fazê-lo agora por isso não posso comentar muito. Mas tive uma sensação de perda, quando soube. Votámos como votámos porque queríamos Tsipras e Varoufakis a lutar por nós."

O que, crê Olga, 23 anos, estudante de media e comunicação, vai continuar a acontecer. "Fiquei triste, acho que Varoufakis tem muita personalidade e sabe o que quer. Mas estou convencida de que é uma estratégia. Que Tsipras quis que ele fosse o bad boy [mau rapaz] do Eurogrupo e que ele vai continuar a trabalhar no Governo, embora não como ministro das Finanças." Quanto ao PM, põe todas as fichas nele: "Acho que tem visão, que é honesto e se preocupa connosco. Não é como os outros políticos que governaram a Grécia."

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Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.