"Dilma só não terminará o mandato se não quiser"

Entrevista ao presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Eduardo Cunha (PMDB), que diz não acreditar na destituição de Dilma. E garantiu que o seu partido não irá apoiar Lula da Silva em 2018.

Sete meses após as presidenciais, Dilma Rousseff enfrenta contestação social. Acha que a presidente chega ao fim do mandato?

A Dilma só não terminará o mandato se não quiser. A contestação não é social, é política. As eleições foram as mais acirradas dos últimos anos. Nas outras, o Partido dos Trabalhadores [PT] teve uma hegemonia e nestas uma vitória apertada. Dilma fez promessas de campanha, do que faria ou não, e quando começou o segundo mandato fez o contrário, principalmente na área da economia. E isso causou revolta. Em primeiro lugar, dos que não votaram nela e quiseram incitar o processo de contestação. Em segundo, dos que votaram nela e se arrependeram porque não teriam votado se ela tivesse dito o que ia fazer. Isso levou as pessoas às ruas e à queda da popularidade de Dilma. Mas acho que tem que se dar um tempo para que ela possa implementar a sua nova política.

Não está então em causa um possível impeachment [destituição]?

No nosso ordenamento jurídico há razões práticas para o impeachment, que não existem no caso de Dilma. Não podemos tratar o impeachment como um recurso eleitoral para os que não estão contentes com o resultado da eleição ou se arrependeram dele. No caso de Dilma, não podemos responsabilizá-la por atos que não praticou. Não há neste mandato, aliás nem no anterior, qualquer ato que possa levar a um impeachment. E na prática todos falam, mas não me chegou às mãos nenhum pedido.

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