"Dilma só não terminará o mandato se não quiser"

Entrevista ao presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Eduardo Cunha (PMDB), que diz não acreditar na destituição de Dilma. E garantiu que o seu partido não irá apoiar Lula da Silva em 2018.

Sete meses após as presidenciais, Dilma Rousseff enfrenta contestação social. Acha que a presidente chega ao fim do mandato?

A Dilma só não terminará o mandato se não quiser. A contestação não é social, é política. As eleições foram as mais acirradas dos últimos anos. Nas outras, o Partido dos Trabalhadores [PT] teve uma hegemonia e nestas uma vitória apertada. Dilma fez promessas de campanha, do que faria ou não, e quando começou o segundo mandato fez o contrário, principalmente na área da economia. E isso causou revolta. Em primeiro lugar, dos que não votaram nela e quiseram incitar o processo de contestação. Em segundo, dos que votaram nela e se arrependeram porque não teriam votado se ela tivesse dito o que ia fazer. Isso levou as pessoas às ruas e à queda da popularidade de Dilma. Mas acho que tem que se dar um tempo para que ela possa implementar a sua nova política.

Não está então em causa um possível impeachment [destituição]?

No nosso ordenamento jurídico há razões práticas para o impeachment, que não existem no caso de Dilma. Não podemos tratar o impeachment como um recurso eleitoral para os que não estão contentes com o resultado da eleição ou se arrependeram dele. No caso de Dilma, não podemos responsabilizá-la por atos que não praticou. Não há neste mandato, aliás nem no anterior, qualquer ato que possa levar a um impeachment. E na prática todos falam, mas não me chegou às mãos nenhum pedido.

Leia mais na edição impressa ou no epaper do DN.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.