Conservadores à beira da maioria no Reino Unido contra previsões de eleição renhida

As sondagens à boca das urnas dão a vitória aos conservadores de David Cameron, com 316 deputados, à beira da maioria absoluta de 323. Os trabalhistas, com 239, surgem em segundo lugar.

De acordo com a sondagem divulgada pela SkyNews e a BBC, os conservadores conseguem 316 deputados - ganhando 14. O Labour consegue 239 lugares (tinham 256) e termina 77 abaixo dos conservadores. O Partido Nacionalista Escocês (SNP), de Nicola Sturgeon, conquista 58 deputados (mais 52 do que os que tinha atualmente). Os liberais-democratas, de Nick Clegg, têm 10 deputados (tinham 56)

O Plaid Cymry (nacionalistas galeses) conseguem 4 deputados, os Verdes 2 e o UKIP mantém os 2. Outros partidos têm 19 deputados.

Os eleitores britânicos elegem hoje os 650 deputados do próximo parlamento e as sondagens apontam para um empate técnico entre os conservadores do primeiro-ministro David Cameron e os trabalhistas liderados por Ed Miliband.

Para conquistar a maioria absoluta são necessários 326 deputados, mas, uma vez que os deputados do Sinn Féin nunca tomam posse dos seus lugares (costumam ser cinco), é considerada maioria absoluta com 323 votos.

Segundo os dados da sondagem à boca das urnas, a repetição da atual coligação permite a maioria aos conservadores e liberais-democratas (326 votos).

Outra sondagem divulgada hoje, do YouGov para o jornal The Sun, mostra um cenário totalmente diferente, com conservadores a serem os mais votados, mas com uma diferença muito menor para os trabalhistas. Segundo esta sondagem, os conservadores conquistam 284 lugares, o Labour 263, os liberais-democratas 31, o SNP 48, o UKIP 2, o Plaid Cymru 3 e os Verdes 1.

Cada deputado é eleito por um círculo eleitoral. Os primeiros resultados foram conhecidos pouco antes das 23.00. Bridget Phillipson, do Labour, venceu neste círculo eleitoral com 55% dos votos, com Richard Elvin do UKIP a aparecer em segundo, com 21%. A maioria dos resultados só será conhecida contudo durante a madrugada.

As urnas estão abertas desde as 07.00. No total, há 45 milhões de eleitores.

Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), foi o primeiro líder partidário a votar, às 07.35 em Ramsgate, círculo de South Thanet.

Farage foi o primeiro a reagir nas redes sociais aos resultados das sondagens à boca das urnas. "A minha previsão para esta noite é que o voto UKIP vai revelar-se ter sido um grande impulso para o Partido Conservador, não que essa tenha sido a minha intenção".

15 minutos mais tarde, era a vez de Miliband depositar o seu voto em Doncaster Norte, juntamente com a mulher Justine Thornton. O líder trabalhista não falou aos jornalistas presentes, mas antes de votar escreveu no Twitter: "Hoje é o dia em que podem escolher um governo trabalhista que defenderá os trabalhadores. Podem votar para dar prioridade ao sistema de saúde e à família."

O primeiro-ministro, que votou às 9.10 em Witney, no condado de Oxfordshire, também usou o Twitter para apelar ao voto, tendo colocado um vídeo na rede social.

"Se quer evitar que (o líder do Partido Trabalhista) Ed Miliband e o SNP (Partido Nacionalista Escocês) cheguem ao poder e destruam a nossa economia, se o que procura é um governo forte e estável para o Reino Unido e se quer que eu volte a trabalhar na sexta-feira mantendo o nosso plano económico para o país, é importante que vote no Partido Conservador", disse. "Juntos podemos construir um futuro brilhante para o Reino Unido", acrescentou.

O líder dos Liberais Democratas e vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, votou em Sheffield Hallam, no centro de Inglaterra, às 11.05.

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