Comissário alemão: Atenas arrisca estado de emergência

Juncker desapontado com negociações. Varoufakis quer começar do zero. Tsipras pede realismo. Eurogrupo de quinta-feira fulcral. Prazo para acordo acaba no final deste mês.

A duas semanas de terminar a extensão do resgate à Grécia, o fosso entre o governo do Syriza e os credores é maior e em Bruxelas há quem vá já alertando para um possível "estado de emergência" no caso de falhanço nas negociações. A Comissão Europeia demarca-se das declarações de um dos seus comissários, o alemão, o ministro das Finanças grego quer renegociar o programa "a partir do zero", o seu primeiro-ministro acusa os credores de pilharem a Grécia através dos memorandos dos últimos cinco anos e o presidente da Comissão diz-se "desapontado" com andamento das negociações.

Ontem Jean-Claude Juncker colocou os seus porta-vozes a clarificar detalhes do que tem sido exigido a Atenas, garantindo que os credores nunca pediram cortes de salários ou de pensões. "As medidas são sobre a eliminação progressiva da reforma antecipada, aumento da idade de aposentação, eliminação de incentivos incorretos para as reformas antecipadas. São também sobre a forma de tornar o sistema de pensões grego financeiramente sustentável a longo prazo e eficiente, por exemplo juntando todos os modelos que estão disponíveis", esclareceu a porta-voz do presidente da Comissão.

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Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.