Cimeira da última oportunidade já começou em Minsk

Os líderes da Ucrânia, Rússia, França e Alemanha estão reunidos na Bielrorrússia para tentar alcançar um acordo de paz no leste da Ucrânia.

A que está a ser considerada como a "cimeira da última oportunidade" para alcançar um acordo de paz na Ucrânia começou hoje em Minsk, capital da Bielorrússia, reunindo os líderes da Ucrânia, Rússia, França e Alemanha.

Os presidentes francês, François Hollande; russo, Vladimir Putin; ucraniano, Petro Poroshenko; e a chanceler alemã Angela Merkel estão reunidos num "encontro restrito" inicial, antes de as negociações de paz serem alargadas aos técnicos e conselheiros das partes, indicaram fontes da delegação francesa citadas pela agência France Presse.

O encontro na Bielorrússia, decidido após uma semana de intensas consultas diplomáticas lançadas pela dupla franco-alemã, tem como objetivo a adoção de um plano de paz para pôr fim ao banho de sangue.

Cerca de 50 pessoas, civis e soldados, foram mortas entre terça-feira e hoje no leste do território ucraniano - um dos mais pesados balanços desde o início do conflito às portas da Europa, que em 10 meses já fez mais de 5.300 mortos.

Pouco antes daquele que é considerado o encontro diplomático mais importante desde o início da crise ucraniana, os participantes fizeram subir a pressão através das declarações proferidas, enquanto no terreno, soldados ucranianos e rebeldes intensificavam os combates para se apresentarem numa posição de superioridade à mesa das negociações.

Numa entrevista à agência de notícias francesa, AFP, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, classificou a cimeira de Minsk como "uma viragem, para o melhor ou para o pior", referindo-se a "perspetivas preocupantes" se o resultado da reunião for negativo.

Antes de voar para Minsk, o Presidente ucraniano mostrou-se irredutível, declarando-se disposto a decretar a lei marcial em toda a Ucrânia em caso de fracasso da cimeira.

Poroshenko advertiu ainda o Kremlin de que ele, Merkel e Hollande falarão "a uma só voz".

Segundo a presidência francesa, Hollande e a chanceler alemã tencionam "tentar tudo" para encontrar uma solução diplomática para uma crise que originou o pior período de confrontação entre a Rússia e o Ocidente desde o fim da União Soviética, em 1991.

Em Washington, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez aumentar a tensão ao telefonar, na terça-feira à noite, a Putin para lhe dizer que se continuar a sua estratégia "agressiva" na Ucrânia, a Rússia verá aumentar "o preço a pagar".

Segundo uma fonte da Presidência francesa, as negociações preparatórias da cimeira, que decorrem desde terça-feira, estão a ser "difíceis". Os negociadores chegaram a acordo sobre "um documento", mas "ainda há muitos problemas por solucionar".

Em Moscovo, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, deu conta de "progressos notáveis", embora acusando os ucranianos de quererem colocar demasiado acima na lista das prioridades da cimeira a questão do controlo da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, junto às zonas separatistas.

Após as reuniões de Minsk, o chefe de Estado ucraniano deverá dar conta das negociações numa cimeira europeia em Bruxelas.

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