China liberta dissidente preso há oito anos por subversão

As autoridades chinesas libertaram o jornalista dissidente Shi Tao, preso há oito anos por "subversão", antes de cumprir os 10 anos a que foi condenado graças a provas fornecidas pela empresa que detém o motor de busca Yahoo.

O grupo de direitos humanos PEN Internacional - de que Shi é membro - confirmou que o jornalista e poeta foi libertado 15 meses antes de cumprir a totalidade da sua pena por divulgar segredos de Estado, apesar de se desconhecer o motivo da sua libertação.

A organização informou que Shi foi tratado "relativamente bem" na prisão, onde continuou a escrever poemas, como "Canção de outubro", escrito depois de saber que o Prémio Nobel da Paz foi atribuído a Liu Xiaobo.

Shi enviou para a imprensa estrangeira diversos e-mails, em 2004, usando o Yahoo, nos quais publicou uma nota confidencial do Governo, na qual alertou para a possível chegada de dissidentes à China por ocasião do 15.º aniversário do massacre da Praça Tiananmen (04 de Junho de 1989).

"As informações fornecidas pela Yahoo [ao Governo chinês] foram usadas para condená-lo, em 2005", disse um comunicado publicado no site da organização, com sede em Londres.

Shi Tao trabalhava para um jornal da cidade de Changsha, no centro da China, o Dangdai Shang Bao, que tratava principalmente temas económicos, quando em maio de 2004 se tornou um jornalista 'freelancer' e escritor.

O dissidente é conhecido pelos seus comentários em meios de comunicação na China e no estrangeiro, nomeadamente no portal de notícias Boxun.com.

Embora seja o mais famoso, o caso de Shi não é o único em que a Yahoo tem informado as autoridades chinesas.

Os ativistas Li Zhi e Jiang Lijun foram também condenados por "subversão" depois de informações prestadas pelo Yahoo, além do jornalista dissidente chinês Wang Xiaoning, que deixou a prisão no final de agosto, depois de cumprir uma pena completa de 10 anos.

Após a detenção de Wang, a empresa dos EUA foi forçada pelas autoridades chinesas a fornecer informações sobre os seus artigos, que lhe custaram duras críticas e acusações de colaborar com a repressão comunista chinesa.

Em 2007, a Yahoo reconheceu que forneceu informações sobre os dissidentes, que justificou com a obrigação de cumprir as leis chinesas para poder continuar a operar no país, e condenou a perseguição de ativistas chineses simplesmente por exercerem a sua liberdade de expressão.

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1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?