Catalunha: a região que já se declarou independente por três vezes

A região da Catalunha já por três vezes, uma em meados do século 17 e duas na década de 30 do século passado, declarou unilateralmente a independência, opções que, nos três casos duraram pouco tempo.

Cabe a Pau Claris i Casademunt, político a honra da primeira proclamação, em 1641, da Republica Catalã, que ficaria sob proteção de Luis XIII e a soberania de França e como resposta ao acosso a Barcelona do exército do Marqués de Los Vélez.

Pau Claris opta por reconhecer a soberania francesa - Luis XIII assume o título de Conde de Barcelona - e em Montjuic, a 26 de janeiro desse ano, as tropas catalãs e francesas derrota o exército espanhol.

Essa primeira Republica Catalã - que durou até 1659 - teve uma vida curta e o próprio Pau Claris não viu o seu final, morrendo em 1641, um mês depois da vitória de Montjuic.

Catalunha continuou, como outras regiões europeias, a ser mais uma das frentes da Guerra dos 30 anos, um palco de conflito com Espanha que só termina em 1652 com promessas de Felipe VI de respeitar as instituições catalãs.

É, porém, só em 1659, quando Luis XIV e Felipe VI assinam a Paz dos Pirenéus e este ultimo cede a França parte dos territórios da então região catalã, que se invalidam as demarcações estabelecidas pela Constituição da Catalunha.

Foi preciso esperar mais de três séculos, até 1931, para ver uma nova proclamação da República Catalã.

"Interpretando o sentimento e as aspirações dos povos que nos acabar de dar o seu sufrágio, proclamo a República Catalã como Estado integrado na Federação Ibérica", disse, a 14 de abril de 1931, na varanda da sede do Governo regional, Francesc Maciá.

A proclamação de Maciá, líder da Esquerda Republica da Catalunha (ERC), que vence as eleições municipais, leva o Governo provisional da República espanhol a enviar negociadores que fecham, em Barcelona, um acordo que cria a Generalitat da Catalunha.

Renasce um nome histórico que, para muitos, é o primeiro passo para um novo modelo de autonomia catalã, consolidado depois no primeiro estatuto de autonomia da região.

Maciás morre em 1933 e é substituído por Lluís Companys na presidência da Generalitat.

A de outubro de 1934, acusando o novo Governo espanhol de ser "monarquista" e "fascista", Companys proclama o Estado Catalão dentro da República Federal Espanhola, convidando republicanos de esquerda de toda a Espanha a estabelecer um Governo provisional da República em Barcelona.

"Nesta hora solene, em nome do povo e do Parlamento, o Governo a que presido assume todas as faculdades do poder na Catalunha, proclama o estado catalão da República Federal Espanhola", disse.

"O estabelecer e fortalecer a relação com os dirigentes do protesto geral contra o fascismo, convida-os a estabelecer na Catalunha o governo provisório da República, que encontrará no nosso povo catalão o mais generoso impulso de fraternidade, no comum anseio de edificar uma República Federal livre e magnífica", afirmou.

Com o fim da Guerra Civil espanhola, em 1939, os membros da Generalitat vão para o exílio e a ditadura militar derroga as instituições catalãs. Companys acaba preso em França, é extraditado para Espanha e julgado em Conselho de Guerra.

Foi condenado à morte e fuzilado no Castelo de Montjuic em 1940.

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