Casal greco-português dono da melhor padaria de Berlim torce pelo "Não"

Amigos alemães de Paula e George criticam que eles queiram ir passar as férias à Grécia mesmo com a situação atual

Paula e George partilham a vida profissional e pessoal em Berlim. Em comum, além de um filho, têm um projeto que se chama Bekarei, uma padaria, eleita como a melhor de Berlim num programa de entretenimento televisivo alemão. No ano passado, o programa emitido pela ZDF em formato semelhante ao Cookoff/Duelo de Sabores da RTP1, convidou-os a competir pelo título de "A melhor padaria da Alemanha". Ganharam a primeira ronda de Berlim, ficaram em sexto a nível nacional.

Paula, de 41 anos, é natural de Leiria mas vive na Alemanha há 20 anos, desde que veio para o país estudar ao abrigo do Erasmus. George, de 39 anos, é filho de imigrantes gregos na Alemanha. "Apesar de não estar lá [na Grécia], os meus pais agora estão. Também fazem fila para levantar dinheiro e para receber as suas pensões", conta George, ao explicar que se sente mais grego do que alemão. Se votasse, responderia não à pergunta do referendo grego. "Acho que finalmente há uma oportunidade para o país lutar pelo respeito que merece. A Grécia tem vindo a depender de ajuda financeira internacional, mas este dinheiro não é necessariamente uma ajuda, não é algo que tenha trazido as mudanças de que o país precisa", explica. Paula arrisca a comparação entre Grécia e Portugal e considera que os portugueses não passarão pela mesma situação. "Acho que os portugueses fazem o que lhes dizem. Nós criticamos mas ninguém vai para as ruas protestar. Os gregos deram outra luta. Não vejo ninguém em Portugal como o Syriza".

O casal greco-português prepara-se agora para passar férias na Grécia e considera que a melhor forma de contribuir para a sustentabilidade do país é ajudar um dos pilares da economia grega, o turismo. Paula e George confessam que as reações dos amigos e colegas alemães, quanto ao destino de férias, foram negativas. "Dizem que é uma péssima ideia, que não se pode levantar dinheiro. De acordo com eles, o turista é um alvo porque viaja com a mala cheia de dinheiro. Estamos a falar da Grécia, Europa! Até parece que estamos a falar de terrorismo! Se nem um grego pode ir ao seu país, quem pode", indigna-se a portuguesa.

George descansa ao pensar que, apesar da situação de miséria que muitos gregos enfrentam, a população não perdeu a "identidade grega". "Ainda vemos as pessoas nas ruas, a serem elas próprias. Ninguém perdeu o seu sentido de cultura grega, as pessoas não ficam em casa", descreve.

* Jornalista da agência Lusa

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