Aznar: "Europa não precisa de um marxismo rançoso" e "é isso que representa o Podemos"

Ex-primeiro-ministro espanhol acusa o regime da Venezuela de estar vinculado ao narcotráfico, de dar cobertura a terroristas da ETA e de financiar o Podemos de Pablo Iglesias.

José María Aznar, primeiro-ministro de Espanha entre 1996 e 2004, afirmou que "o Podemos é um movimento político que defende modelos totalmente totalitários e postulados populistas, tendo sido financiado, tal como os seus dirigentes, pelo chavismo".

Em entrevista ao 'Diario Las Américas', jornal espanhol mais antigo de Miami, o ex-líder do PP teceu fortes críticas ao partido liderado por Pablo Iglesias e que, desde há meses, oscila nas sondagens entre o primeiro e o segundo lugar nas intenções de voto dos espanhóis.

"Evidentemente, a Europa e a Espanha não precisam de movimentos populistas, de um marxismo rançoso, de uma extrema-esquerda rançosa, é isso que representa o Podemos. Além disso, creio que, pelas suas ligações ao regime de Chávez, os seus dirigentes precisam de muito para cumprir os parâmetros democráticos exigíveis nas democracias às quais pertencemos".

Aznar, de 61 anos, aproveitou ainda a entrevista para acusar o regime do herdeiro de Hugo Chávez, o presidente Nicolás Maduro, de estar ligado ao narcotráfico e de abrigar terroristas da ETA, como por exemplo Iñaki de Juana Chaos. Segundo noticiou esta semana o jornal espanhol 'El Mundo', o etarra que fez greve de fome e o governo de José Luis Rodríguez Zapatero libertou por razões humanitárias, encontra-se a viver numa cidade da Venezuela.

"Há provas evidentes da proteção do regime venezuelano aos etarras e esse é um exemplo. Há provas evidentes da ligação do regime, de algumas figuras destacadas do mesmo, ao narcotráfico. Há provas evidentes e manifestas da relação com o Irão, em termos absolutamente obscuros. O que quero dizer é que o regime da Venezuela não é neste momento um elemento que serve a tranquilidade e a segurança internacional, mas sim um elemento que prejudica o seu povo, os seus cidadãos e os demais; gera instabilidade".

Recorde-se que, no passado, Hugo Chávez (falecido a 5 de março de 2013) classificou Aznar como "fascista". Foi na XVII Cimeira Ibero-Americana, em Santiago do Chile, em 2007. A intervenção do então presidente da Venezuela desconcertou o então rei de Espanha, Juan Carlos, que o mandou calar com a célebre frase: "Por qué no te callas?" (Porque não te calas?).

Ainda na entrevista ao 'Diário Las Américas', Aznar, que perdeu as eleições legislativas espanholas de 2004 para o socialista Zapatero, depois dos atentados terroristas do 11 de Março em Madrid, fala sobre Cuba e a normalização de relações entre o regime comunista da ilha e os EUA de Barack Obama (democrata).

"Volto a dizer: os irmãos [Fidel e Raúl] Castro não vão mudar; são peritos em ganhar tempo", declarou Aznar, sublinhando que "o desaparecimento da ditadura em Cuba tem muito que ver com uma questão biológica".

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