Atenas acusa FMI de ação criminosa contra os gregos

PM grego, Alexis Tsipras, critica credores e fala em humilhação da Grécia. Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, denuncia falta de rigor e diz que não fala com ele desde dia 14.

O presidente da Comissão Europeia acusou ontem o primeiro-ministro grego de não transmitir "exatamente" aquilo que são as propostas dos credores. Jean-Claude Juncker afirmou que se Alexis Tsipras dissesse na Grécia o que lhe propõem em Bruxelas "o debate seria muito mais fácil".

"Parece-me que o debate na Grécia e fora da Grécia seria muito mais fácil, se o governo grego dissesse exatamente o que as três instituições encarregues das negociações estão realmente a propor", afirmou o presidente da Comissão Europeia, procurando esclarecer que não é defensor de propostas que o governo grego lhe atribui.

Juncker disse que "não contacta com o governo grego desde domingo à noite, devido à posição grega", que não estava a levar as negociações a "lado nenhum". O presidente da Comissão mostrou-se agastado com a forma como têm corrido das negociações.

"Não quero saber do governo grego. Preocupo-me com o povo grego e, em particular, com a parte mais pobre da população, que está a sofrer mais do que os outros na União Europeia, por causa do ajustamento que teve de ser realizado", afirmou.

Em Atenas, Alexis Tsipras considerou que "já é altura de a Europa decidir sobre o futuro, não só da Grécia, mas da zona euro. O chefe do governo grego, do Syriza, entende que a escolha é entre "pôr um país de joelhos ou assegurar o futuro da Europa".

"Pedem-nos para adotarmos um acordo que, não só não vai resolver o problema, como mergulhará a economia na recessão", afirmou o primeiro-ministro, que falava num encontro com o grupo parlamentar do seu partido, criticando duramente o FMI.

"Está na altura de as propostas do FMI serem julgadas não apenas por nós, mas especialmente pela Europa", disse ainda, considerando que "o FMI tem responsabilidade criminal na situação", que se vive na Grécia.

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