Arcebispo de Dublin diz que vitória do "sim" no referendo é "revolução social"

ATUALIZADA COM RESULTADOS FINAIS. Responsável admite que chegou o momento de a hierarquia católica iniciar um processo de profundo debate e "revisão da realidade".

O arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, afirmou hoje que o "sim" dos eleitores irlandeses ao casamento homossexual é um exemplo da "revolução social" que o país atravessa "há algum tempo" e à qual a Igreja católica deve reagir.

O "Sim" ganhou hoje o referendo ao "casamento gay" na Irlanda com mais 467.307 votos do que o "Não", num referendo que contou com 1.949.725 votos válidos (números oficiais finais).

Quando estava a maioria dos votos do referendo de sexta-feira contados e já assegurada a vitória do "sim", Martin admitiu que chegou o momento de a hierarquia católica iniciar um processo de profundo debate e "revisão da realidade".

O arcebispo, citado pela agência Efe, assegurou que os responsáveis católicos devem encontrar "uma nova linguagem" para propagar mais eficazmente a mensagem da Igreja, sobretudo entre os mais jovens, cujo voto foi decisivo para a vitória do "sim".

Durante a campanha, a Igreja católica irlandesa, apoiada por grupos conservadores, movimentos antiaborto e uma minoria de senadores e deputados, defendeu que o casamento homossexual atenta contra os valores da família tradicional e vai modificar radicalmente os processos de adoção, incidindo negativamente nos direitos dos menores.

A República da Irlanda promulgou em 2010 uma "lei de relações civis" que, pela primeira vez no país, reconhecia legalmente os casais de pessoas do mesmo sexo, mas não as classificava como "casamento" nem lhes conferia proteção constitucional, como passa a ocorrer com a vitória do "sim".

Mais de 3,2 milhões de irlandeses foram chamados na sexta-feira às urnas para se pronunciarem contra ou a favor do casamento homossexual num país onde a influência da Igreja Católica, embora em declínio, continua forte.

A questão colocada aos irlandeses propunha uma alteração à Constituição para autorizar "o casamento entre duas pessoas, sem distinção de sexo".

Dezoito países, 13 dos quais europeus, incluindo Portugal, legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas todos o fizeram por via parlamentar.

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