Humorista francês Dieudonné detido por fazer apologia do terrorismo

O franco-camaronês que já foi acusado de antissemitismo escreveu no Facebook "Sinto-me Charlie Coulibaly", usando o apelido do terrorista que matou quatro pessoas no supermercado kosher.

O jornal francês Le Figaro avança esta manhã que Dieudonné, o humorista franco-camaronês, foi detido pela polícia francesa no seu domicílio, em Eure-el-Loir, pelas 7.00 desta quarta-feira.

Dieudonné, que tem sido acusado de transmitir, nos seus espetáculos de humor, mensagens antissemitas, tinha escrito na sua página de Facebook " Je me sens Charlie Coulibaly" - sinto-me Charlie Coulibaly em português. A frase faz referência ao massacre na redação do Charlie Hebdo, do qual resultaram 12 vítimas mortais, mas usa o nome do jornal satírico com o apelido de Amedy Coulibaly, o responsável pelo sequestro e homicídio de quatro reféns num supermercado de produtos judaicos na porta de Vincennes, em Paris.

Num vídeo divulgado após o ataque e consequente morte do sequestrador, abatido pela polícia, Coulibaly assumia estar sincronizado com os irmãos Kouachi, que mataram 12 pessoas na redação do Charlie Hebdo no passado dia 7 de janeiro. Hayat Boumedienne, alegada cúmplice de Coulibaly, é a mulher mais procurada pelas autoridades francesas, ainda que, segundo as informações mais recentes, já se encontre na Síria, para onde partiu no início do ano.

Numa visita à comunidade judaica em Paris, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, descreveu na terça-feira Dieudonné como uma figura "desprezível".

Não é a primeira vez que este polémico humorista, que se destacou pelos gestos e piadas antissemitas, é alvo de um processo judicial.

Dieudonné M'bala M'bala, que em janeiro de 2014 teve vários dos seus espetáculos proibidos em França devido a comentários antissemitas, é suspeito de fraude fiscal e branqueamento nomeadamente pela transferência de 400.000 euros para os Camarões desde 2009 sem que tivesse pagado nenhuma das multas fiscais que lhe foram impostas, no valor de 65.000 euros.

Nessa mesma altura, o humorista francês foi proibido de entrar no território britânico, por ter manifestado a intenção de ir ao Reino Unido apoiar o futebolista francês Nicolas Anelka.

Este jogador tinha sido convocado para uma audição disciplinar por ter feito um gesto considerado antissemita durante um jogo da Premier League (campeonato de futebol britânico).

Em fevereiro de 2014, Dieudonné foi absolvido pela justiça francesa num processo que teve como origem um vídeo em que apelava para a libertação do homicida de um jovem judeu.

O tribunal considerou na altura que não tinha ficado demonstrado que o controverso humorista era responsável pela divulgação do vídeo, que foi tornado público em abril de 2010.

Dieudonné era acusado de injúria e difamação dirigida a uma comunidade ou religião, bem como do crime de apologia de atentado voluntário à vida.

No vídeo, o humorista denunciava "o poder do lobby judeu" e apelava para a libertação de Youssouf Fofana, condenado pela morte em França de Ilan Halimi, um jovem judeu sequestrado, torturado e morto em 2006.

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