Human Rights Watch alerta para uso de crianças-soldados no conflito no Sudão do Sul

Organização não-governamental diz que tanto exército como rebeldes recrutam crianças para combate.

O exército do Sudão do Sul e as forças rebeldes recrutam de forma sistemática menores de idade para combaterem na guerra civil que assola o país há mais de um ano, denunciou hoje a organização Human Rights Watch (HRW).

"Apesar das promessas das forças do Governo e da oposição, ambas as partes continuam a recrutar e a utilizar crianças-soldados em combate", advertiu o diretor para África da HRW, Daniel Bekel, que acusou o exército do Sudão do Sul de recrutar menores perto do complexo da ONU em Malakal, no nordeste do país.

As forças rebeldes também utilizaram crianças, tanto em operações de combate como em tarefas logísticas e de reabastecimento, assegurou a HRW, após uma dezena de entrevistas realizadas a menores de idade que entraram em combate durante o ano passado.

"Um rapaz de 16 anos de Bentiu (norte do país) descreveu o seu terror quando, apenas um dia depois de ter sido recrutado juntamente com dezenas de jovens em dezembro de 2013, um dos comandantes rebeldes lhe deu uma arma e o obrigou a lutar", afirmou a HRW.

A organização de defesa dos direitos humanos exigiu, tanto ao Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, como ao ex-vice-presidente e líder dos rebeldes, Riek Machar, que emitam ordens claras para parar o recrutamento de menores de idade e colaborem com as Nações Unidas para ajudar a reinseri-los.

Em 2014, tanto as forças governamentais como os rebeldes assinaram documentos em que prometiam acabar com o uso de crianças nos seus exércitos, um compromisso não cumprido.

Esta não é a primeira vez que a comunidade internacional acusa o Sudão do Sul de usar crianças-soldados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) tem denunciado em diversas ocasiões o recrutamento de pelo menos 12 mil menores para combaterem na guerra civil.

No final de janeiro, a Unicef anunciou um acordo histórico para desmobilizar cerca de 3.000 crianças com idades compreendidas entre os 11 e 17 anos, alguns dos quais tinham sido recrutados em 2011 e nunca foram à escola.

Segundo o Direito Internacional Humanitário, o recrutamento de menores de 15 anos e a sua utilização em conflitos armados é um crime de guerra pelo qual os líderes e comandantes das forças armadas podem ser processados e julgados.

Em dezembro de 2013 uma disputa política entre o Presidente Kiir e o então vice-presidente Machar derivou numa guerra civil que já causou milhares de mortes e pelo menos 1,5 milhões de deslocados.

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