Guardian acusado de revelar código de acesso a telegramas

O portal WikiLeaks acusou um jornalista do The Guardian de ser responsável por uma versão sem rasuras de milhares de telegramas diplomáticos norte-americanos estar agora a circular na Internet, o que o jornal nega.

O acesso terá sido revelado num livro que o editor-adjunto do jornal, David Leigh, publicou sobre a história do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

"Um jornalista do Guardian, num ato de grosseira negligência ou malícia até agora não detectado, e violando o acordo de segurança com o director do Guardian, Alan Rusbridger, revelou a palavra passe para descodificar o arquivo inteiro do Cablegate, sem rasuras", denunciou o WikiLeaks no Twitter.

Em causa está um conjunto de cerca de 250 mil telegramas diplomáticos norte-americanos que o portal obteve de fonte não identificada e que tem vindo a divulgar progressivamente.

O Guardian, juntamente com o El País (Espanha), o Le Monde (França), o Der Spiegler (Alemanha) e o New York Times (EUA), colaboraram com o WikiLeaks na divulgação dos documentos em Novembro do ano passado.

Muitos nomes de pessoas mencionadas ou envolvidas tinham sido rasurados para proteger a sua identidade ou segurança.

Mas uma versão completa estará agora completamente acessível pela Internet.

No comunicado que emitiu na quarta-feira à noite, o WikiLeaks adiantou ter falado com o Departamento de Estado [dos EUA] e iniciado uma acção judicial contra o Guardian.

Porém, o jornal considera um "disparate" a acusação, lembrando que o livro, intitulado "WikiLeaks: Inside Julian Assange's War on Secrecy", foi publicado em Fevereiro.

"Continha uma palavra passe mas não os detalhes sobre a localização dos ficheiros e tinham-nos dito que era uma palavra passe temporária que expiraria e seria apagada no espaço de horas", justifica.

O Guardian acrescentou que, "se alguém no WikiLeaks pensava que isto comprometia a segurança tiveram sete meses para remover os ficheiros".

A relação entre Julian Assange e o jornal arrefeceu depois de o Guardian ter publicado pormenores sobre a acusação de violação e abuso sexual de duas mulheres suecas contra o fundador do WikiLeaks.

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