Governo espanhol pondera acção judicial contra Hamburgo

O Governo espanhol está a ponderar apresentar uma acção judicial contra as autoridades de Hamburgo, Alemanha, que associaram inicialmente os pepinos espanhóis à origem de um surto infeccioso que já matou 17 pessoas na Europa.

A hipótese foi hoje admitida pelo ministro do Interior espanhol, Alfredo Perez Rubalcaba, numa entrevista à rádio Cadena Ser. Uma variante rara da bactéria E.coli está na origem de um surto de infeções intestinais mortais, que já provocou 16 mortos na Alemanha e, pelo menos, uma vítima mortal na Suécia. A última vítima mortal na Alemanha é uma mulher de 84 anos.

Na terça-feira, uma responsável pela Saúde Pública em Hamburgo informou que os pepinos espanhóis não são a fonte do surto, explicando que a estripe da bactéria descoberta nos legumes não coincide com a encontrada nas fezes dos pacientes. "Uma vez que a verdade foi restabelecida, é necessário reparar os prejuízos que foram importantes", afirmou Alfredo Perez Rubalcaba. "Não descartamos a hipótese de acções contra as autoridades que colocaram em causa a qualidade dos nossos produtos. Podemos tomar medidas, neste caso, contra as autoridades de Hamburgo", disse.

A Federação Espanhola dos Produtores e Exportadores de Frutas e Legumes (Fepex) avaliou as perdas "em cerca de 200 milhões de euros" por semana.

"A bactéria não é originária de Espanha", frisou o ministro à estação de rádio. Mais tarde, durante uma conferência de imprensa em Almeria, na região da Andaluzia (sul), o ministro afirmou que Madrid já pediu à União Europeia para levantar o alerta sanitário lançado na quinta-feira passada.

Na mesma ocasião, o ministro garantiu que as análises realizadas até ao momento revelam que os pepinos espanhóis não são portadores da estripe da bactéria E.coli. Os resultados oficiais das análises realizadas aos pepinos e a terra recolhidos nas propriedades de dois produtores da Andaluzia, elaboradas por um laboratório espanhol, ainda não foram publicamente divulgados.

Exclusivos