França quer impedir recrutamento de extremistas

A França apresentou hoje novas medidas antiterroristas no sentido de impedir extremistas islâmicos de viajarem para a Síria onde participam no conflito armado.

A nova lei foi apresentada pelo ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, em Conselho de Ministros e na sequência do caso da cidadã francesa de 48 anos acusada de terrorismo por ter visitado o filho, combatente islâmico em território sírio.

A lei prevê também que indivíduos suspeitos sejam impedidos de entrar em França, sendo que as autoridades passam igualmente a ter o poder de confiscar ou de invalidar passaportes.

No quadro da nova medida, as companhias aéreas ficam proibidas de transportar suspeitos assim como passam a ser obrigadas a informar as autoridades francesas a partir do momento em que um indivíduo suspeito faça a reserva de viagem.

O registo das identidades dos passageiros, que inclui o itinerário de certos indivíduos ou grupos, no sistema informático de reservas de bilhetes de avião, vai ser distribuído às autoridades europeias no sentido de ajudar na localização de suspeitos.

Se as pessoas sob suspeita pretenderem deslocar-se para o exterior sem autorização passam a ficar sujeitas a mandatos de captura internacionais.

A proposta de lei refere que as limitações sobre as deslocações podem vir a ser extensivas a menores de idade, por ordem do Ministério do Interior.

A proibição vai ser aplicada sempre que existirem indícios de participação em planos terroristas, disse aos jornalistas o ministro do Interior, após a reunião do Conselho de Ministros, em Paris.

Cazeneuve descreveu a lei como uma "medida equilibrada" acrescentando que o governo pretende garantir "100 por cento de precaução" sobre o recrutamento e envolvimento de estrangeiros em conflitos armados.

O governo francês está profundamente preocupado com a "radicalização" dos cidadãos nacionais depois de terem sido localizados centenas de franceses envolvidos nos movimentos extremistas islâmicos que combatem o regime de Damasco, na Síria.

De acordo com as autoridades, cerca de 800 cidadãos franceses ou residentes em França, incluindo dezenas de mulheres, estiveram na Síria tendo regressado a território francês mas pretendem voltar a combater.

Segundo o governo de Paris, existe preocupação em relação aos combatentes que regressam à Europa e que podem vir a estar envolvidos em atos de violência como o ataque registado no Museu Judaico de Bruxelas em maio e que fez quatro mortos.

Recentemente, o cidadão francês Medhi Nemmouche, que esteve durante um ano a combater na Síria, foi preso em França por envolvimento no ataque ao museu da capital belga.

Um outro caso diz respeito a um cidadão tunisino que já foi extraditado para Tunes depois de ter sido acusado de recrutamento de jovens combatentes franceses que deveriam ser enviados para a Síria.

A proposta do ministro do Interior pretende também endurecer a legislação sobre recrutamento através da Internet, com o apoio do mesmo sistema de bloqueio de páginas 'online' que é utilizado nos sítios de pornografia infantil.

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