Filho dos Aquino à frente na eleição presidencial filipina

Críticos do candidato mais votado apontam a sua escassa experiência política. Resultados de legislativas e provinciais vão demorar algumas semanas até serem conhecidos

O senador Benigno Aquino teve de esperar ontem cinco horas para votar, devido a falha no sistema electrónico de escrutínio, mas surgia em clara vantagem, à medida que iam sendo conhecidos os resultados, sobre o seu mais directo concorrente, Joseph Estrada, antigo presidente afastado do cargo, em 2001, por corrupção.

Aquino, de 50 anos, contabilizava 40% dos 57% de votos já escrutinados, enquanto Estrada, de 73 anos, recolhia 25,7%, isto num universo eleitoral de 50 milhões de eleitores. Em terceiro lugar, com 14% surgia o senador e milionário Manuel Villar, de 60 anos. Estes valores coincidiam com sucessivas sondagens, em que Aquino foi consolidando a sua vantagem enquanto Estrada passava dos últimos lugares para segunda escolha dos filipinos.

Os resultados definitivos das presidenciais, que decorrem a uma única volta com o vencedor a ser apurado por maioria simples, devem ser conhecidos amanhã. O escrutínio para a câmara baixa do Parlamento, para metade do Senado e para os governadores de província e restantes eleitos locais irá demorar algumas semanas.

Benigno é filho da antiga presidente "Cory" Aquino e de seu marido "Ninoy" Aquino, assassinado em 1983 quando regressava às Filipinas, então ainda sob o regime de Ferdinand Marcos.

A popularidade de Benigno Aquino e da maior parte das figuras políticas do arquipélago assenta no nome da família e numa base de poder regional. No seu caso, a província de Tarlac, onde o pai desempenhou vários cargos entre 1959 e 1967, antes de se incompatibilizar com Marcos. O estatuto do pai como figura de oposição, assim como a actuação de sua mãe, "Cory", enquanto presidente de 1986 a 1993, são uma componente importante da projecção nacional de Benigno, que só tem uma década de política activa. O que é pouco perante uma realidade onde os veteranos políticos são a regra.

Num país onde o período eleitoral é sempre palco de grande violência e profusas fraudes, as eleições de ontem estão a ser consideradas das mais pacíficas dos últimos anos e as menos fraudulentas. O combate à fraude esteve na origem da introdução do voto electrónico, que acelera a realização do escrutínio e neutraliza a possibilidade de fraude. Anteriormente, a contagem manual dos votos e a lentidão associada a este processo esteve na origem de incontáveis manipulações.

No capítulo da violência, um balanço apresentado ontem pelo responsável da polícia nacional indicava terem-se verificado 82 incidentes desde o início da campanha, a dez de Janeiro, até domingo último. Neste período morreram 27 pessoas e ficaram 40 feridas.

As autoridades filipinas notavam que nas eleições parciais de 2007 se tinham verificado 68 vítimas e 310 vítimas nas eleições gerais de 2004.

Este clima de violência resulta da própria tradição política e social filipina em que as principais famílias possuem milícias privadas, não temendo recorrer a ajustes de contas quando se verificam reordenamentos de alianças entre os seus membros.

Devido a esta realidade, o período que antecedeu as eleições de segunda-feira ficou marcado por um dos mais brutais massacres de civis na história do país. A 23 de Novembro de 2009, quase 60 apoiantes da família Mangudadatu foram chacinados por elementos do clã adversário dos Ampatuan, na província de Maguindanao, na ilha de Mindanao.

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