Extremistas na mira de políticos

Políticos querem maior vigilância sobre extremistas na Internet para prevenir atentados

Políticos alemães de vários quadrantes exigiram esta terça-feira uma maior vigilância sobre extremistas na Internet, para tentar prevenir atentados como os que ocorreram na sexta-feira na Noruega, e custaram a vida a 76 pessoas.

"Os extremistas estão a armar-se ideologicamente na Internet, e isso torna possível actos de violência como os que aconteceram em Oslo", disse hoje em Berlim o especialista da bancada democrata-cristã para assuntos de segurança interna, Hans-peter Uhl.

Por seu turno, a secretária-geral dos sociais-democratas do SPD, Andrea Nahles, propôs que se empreguem mais especialistas na polícia para vigiar atividades neonazis na Internet.

"Só aparentemente é que os atentados de Oslo são obra de uma pessoa isolada. Na verdade, esses atentados nasceram na Internet", advertiu Uhl, em declarações à rádio pública Deutchlandfunk.

O presidente do sindicato da polícia alemã, Rainer Wendt, em declarações ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung, disse que são necessários 2500 "ciberpolícias" especialmente formados para vigiar a preparação de eventuais actos terroristas na Internet.

"Até agora só existe cooperação a nível da União Europeia para vigiar extremistas islâmicos na Internet, mas temos de lançar uma ofensiva que abranja outros sectores radicais", propôs o eurodeputado democrata-cristão Manfred Weber, no jornal Rheinische Post.

O vice-chanceler alemão Philipp Rösler advertiu, no entanto, contra um debate político "a quente", ainda sob o impacto dos atentados na Noruega.

"Acho que este não é o momento certo para debater isso", afirmou o político liberal à televisão pública ZDF.

A oposição já contestou as afirmações do ministro, e Claudia Roth, presidente dos Verdes, exigiu que o governo de Angela Merkel reforce o combate à extrema-direita.

A secretária-geral do SPD foi mais longe, propondo que se dê início a novo processo jurídico para proibir o principal partido neonazi alemão, o NPD.

Um anterior processo levado a cabo pelo governo social democrata e ambientalista e pelo parlamento federal, em 2003, através de uma petição apresentada no Tribunal Constitucional, redundou num fiasco, porque não foi possível saber qual o verdadeiro papel desempenhado na determinação da linha política do NPD por informadores dos serviços secretos alemães que conseguiram infiltrar-se na direção do partido.

Com cerca de nove mil militantes, segundo o mais recente relatório dos serviços de inteligência alemães, o NPD tornou-se, entretanto, hegemónico na extrema-direta alemã.

Nos últimos anos, esta formação neonazi conseguiu eleger deputados aos parlamentos regionais da Saxónia e de Mecklemburgo-Pomerânia, no leste alemão, e tem ainda representantes em assembleias municipais de 14 dos 16 estados federados.

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