"Veredito do povo exclui governo que aplique memorando"

Dois dias após as legislativas antecipadas, que deixaram sem maioria os dois grandes partidos do centro, a Grécia continua sem Governo. Presidente encarregou esta tarde Alexis Tsipras, do partido radical de esquerda Syriza, de tentar formar uma coligação para governar o país.

Após o fracasso do conservador Antonis Samaras, cujo partido conservador da Nova Democracia ficou em primeiro lugar, em formar um governo favorável aos resgates da UE e do FMI, manda a Constituição grega que cabe ao segundo partido mais votado - neste caso o Syriza, a tarefa de explorar hipóteses de governação.

Tsipras foi recebido esta tarde pelo Presidente da República grego Carolos Papoulias. O Syriza, que é contra as medidas de austeridade impostas pelos pacotes UE-FMI, obteve 52 deputados no Parlamento e 16,7% dos votos, triplicando os votos que conseguira nas últimas eleições. Agora, o seu líder tem três para tentar encontrar uma aliança viável.

Tsipras já anunciou que quer formar um Governo de esquerda para renegociar os planos de assistência financeira e aliviar as medidas de austeridade em vigor no país. "O veredito do povo (...) exclui um governo que aplique o memorando [da troika] e o acordo sobre o empréstimo", concluído por Atenas com a UE e o FMI, declarou hoje Tsipras, depois de se reunir com o chefe do Estado.

A sua tarefa adivinha-se, porém, difícil, uma vez que o partido comunista KKE recusa aliar-se ao Syriza e o terceiro partido de esquerda, o Dimar, não obteve mais do que 6,1% dos votos e 19 assentos no Parlamento de Atenas.

Se ele falhar, a tarefa de formar Governo passa para o Pasok, que sofreu a humilhação de ficar em terceiro lugar.

O Syriza faz parte de um bloco anti-austeridade que detém uma maioria de 151 deputados em 300, face aos 149 assentos parlamentares detidos pelo Pasok e pela Nova Democracia, o dois partidos do centro que aceitaram a austeridade imposta pelos resgates.

Nesse total de 151, 97 deputados são de esquerda ou de extrema-esquerda e 54 pertencem ao bloco da extrema-direita nacionalista (21 dos quais ao partido neonazi da Aurora Dourada).

Outra hipótese seria um Governo de unidade nacional, incluindo o Pasok e excluindo os radicais de direita, mas as posições sobre a ajuda externa parecem pouco ou nada conciliáveis. As declarações feitas esta tarde mostram precisamente isso, pois o Pasok era o partido no poder quando a Grécia pediu ajuda financeira internacional.

"O país dirige-se para a catástrofe. Se não houver Governo de unidade nacional nos próximos dias, serão inevitáveis novas eleições (...) em junho e a vitória do bloco anti-austeridade de Tsipras é evidente", avisa o jornal liberal Kathimérini, no seu editorial desta terça-feira, citado pela AFP.

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