Vaticano diz que ida de cardeais ao conclave é obrigação

O Vaticano afirmou hoje que a presença dos cardeais no conclave para eleger um novo papa é uma obrigação absoluta, numa altura em que várias associações contestam a presença em Roma de cardeais envolvidos em escândalos de pedofilia.

"É um dever, um ministério conferido aos cardeais. Sob nenhum pretexto eles podem faltar", afirmou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, durante um encontro com a comunicação social.

Em vários países, como Estados Unidos, Bélgica e Irlanda, associações de antigas vítimas de padres pedófilos, que acusam a hierarquia da Igreja católica de ter encoberto os alegados abusos, estão a contestar a presença de alguns cardeais no conclave e a defender a sua ausência no colégio de votação, que irá eleger o sucessor do papa Bento XVI.

O principal alvo da contestação é o cardeal e ex-arcebispo de Los Angeles Roger Mahony, de 76 anos, acusado de ter encoberto centenas de acusações de abuso sexual de menores ao longo de várias décadas.

O cardeal Mahony foi exonerado de "qualquer responsabilidade administrativa ou pública" pelo seu sucessor na arquidiocese de Los Angeles, o arcebispo Jose Gomez, que divulgou no início deste mês, por ordem judicial, milhares de páginas de documentos confidenciais sobre os cerca de 120 padres alegadamente envolvidos em casos de pedofilia.

Mas a contestação também está a abranger outros participantes do conclave, é o caso do antigo arcebispo de Filadélfia Justin Francis Rigali, do cardeal belga Godfried Danneels e do cardeal irlandês Sean Brady.

Em termos teóricos, o colégio dos eleitores é composto por 117 cardeais com menos de 80 anos. Alguns devem estar ausentes por motivos de saúde.

"A aceitação dos motivos da ausência depende da congregação dos cardeais", que irá reunir-se antes do conclave, após a oficialização da renúncia do papa, prevista para 28 de fevereiro, precisou Lombardi.

Questionado sobre a previsível ausência de Julius Riyadi Darmaatmadja, arcebispo emérito de Jacarta, o porta-voz do Vaticano reconheceu que provavelmente o cardeal não irá comparecer "por motivos de saúde", que geralmente são considerados como válidos.

Segundo a revista italiana "Panorama", um outro cardeal, o egípcio Antonius Naguib, também poderá alegar motivos de saúde e faltar ao conclave.

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