Um milhão de britânicos pede ajuda a bancos alimentares

Cerca de um milhão de britânicos procuraram, o ano passado, ajuda nos bancos alimentares, um aumento "chocante" de 163% em relação a 2012, informou esta quarta-feira a ONG Trussell Trust.

De acordo com um relatório desta Organização Não Governamental britânica - que gere 423 centros de distribuição de alimentos no Reino Unido - apesar da recuperação económica que se verificou no país, 913 mil pessoas beneficiaram, em 2013, de pelo menos três dias de ajuda alimentar. Em 2012, e de acordo com a France Press, foram 347 mil os beneficiários.

"Acontecer uma coisa destas no século XXI é chocante", disse o presidente da Trussell Trust, Chris Mould, adiantando que "o mais preocupante é que este número representa apenas a ponta do iceberg".

E Chris Mould explica porquê: "Isto não inclui aqueles que recorrem a outros sistemas de apoio, apeles que vivem em cidades onde não há banco de alimentos, aqueles que são envergonhados e não procuram ajuda mas comem cada vez menos."

Perante estas dificuldades que se estão a avolumar, o relatório da Trussell Trust conta com o apoio (através de carta assinada) de 36 bispos anglicanos e mais de 600 líderes da igreja, que esta quarta-feira pediram ao Governo britânico para tomar medidas urgentes.

Já durante o inverno passado, diversas organizações cristãs lançaram uma grande campanha contra a fome. "A reforma das prestações sociais, os baixos salários e o desperdício de alimentos fizeram do Reino Unido o 'homem faminto' da Europa", disse o porta-voz da campanha "Acabar com a fome rápido", Keith Hebden.

A estas críticas, o Governo responde: "Na verdade, o aumento da taxa de emprego e da aplicação de nossas reformas permitirão a muitas famílias sair da pobreza ", disse um porta-voz do Departamento do Reino Unido para o Trabalho e Pensões.

Também nesta quarta-feira, dia da publicação do relatório da ONG, londres anunciou que a taxa de desemprego subiu pela primeira vez em cinco anos abaixo de 7 % no Reino Unido.

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