UE suspende Horizonte 2020 e Erasmus com a Suíça

Bruxelas suspendeu as negociações sobre a participação suíça nos programas Horizonte 2020 e Erasmus, depois de as autoridades da Suíça terem decidido não abrir o seu marcado de trabalho aos cidadãos croatas, anunciou ontem à noite um porta-voz da Comissão Europeia.

"Dadas as circunstâncias e a ausência de um sinal político claro até ao momento, as próximas negociações foram suspensas até que a Suíça assine" com a Croácia um acordo a dar acesso ao seu mercado aos cidadãos da Croácia", declarou à AFP Joe Hennon.

A Croácia, que em julho de 2013 se tornou o 28.º estado membro da UE, foi a primeira vítima colateral do resultado do referendo realizado na Suíça há uma semana e que prevê a introdução de quotas para imigrantes.

A ministra suíça da Justiça, Simonetta Sommaruga, tinha telefonado no sábado à ministra croata dos Negócios Estrangeiros, Vesna Pusic, para lhe dizer que Berna não estava em posição de assinar "na sua forma atual" um acordo bilateral para estender aos novos países membros da UE o acesso ao mercado de trabalho suíço, do qual beneficiam os cidadãos da UE.

50,3% dos eleitores suíços votaram "Sim" no referendo de dia 9 à ideia de limitar a imigração, o que coloca em causa o acordo de livre circulação entre a Suíça e a UE, o qual permite aos cidadãos da UE trabalhar em território suíço.

Apesar de não ser membro da UE, a Suíça tem na UE o seu principal parceiro comercial.

O resultado deste referendo criou "uma nova disposição Constitucional" e "a Suíça não pode assinar o acordo na sua forma atual", explicou à AFP o porta-voz do Ministério suíço da Justiça, Philippe Schwander.

O porta-voz da Comissão Europeia, por seu lado, sublinhou que o acordo que habilitava a Suíça a participar nos programas europeus de investigação Horizonte 2020 e de intercâmbio de estudantes Erasmus está igualmente "ligado à livre circulação de pessoas".

"Há uma relação estreita entre a participação da Suíça no Horizonte 2020 e no Erasmus e o acordo bilateral com a Croácia", disse o porta-voz numa resposta enviada por e-mail à AFP.

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