UE pede solução política ou humanitária para Aminatu Haidar



A União Europeia pediu hoje uma solução política ou humanitária para o caso da activista saarauí Aminatu Haidar, embora tenha considerado que se trata de uma questão bilateral entre Espanha e Marrocos.

Haidar está há três semanas em greve de fome no aeroporto de Lanzarote, nas Canárias, em protesto contra a sua expulsão para Espanha e pelo seu regresso à capital do Saara Ocidental.

"Esperamos que se possa encontrar uma solução política ou humanitária de compromisso", declarou a comissária europeia para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, numa conferência de imprensa após uma reunião ministerial UE-Marrocos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, Taib Fasi Fihri, considerou por seu lado que foi Haidar "quem criou a situação" ao tentar entrar em Marrocos afirmando que não é marroquina e ao "fazer refém a opinião pública espanhola".

Ferrero-Waldner manifestou a sua preocupação "pela deterioração do estado de saúde" de Haidar, mas sublinhou que se trata de "uma questão bilateral" entre Madrid e Rabat.

O caso de Haidar foi abordado na reunião de hoje, em Bruxelas, com a UE a manifestar a sua "preocupação e inquietação", bem como a "esperança de encontrar uma solução humanitária para este caso dramático", segundo o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Frank Belfrage, cujo país assegura a presidência da UE.

Fasi Fihri afirmou que o governo espanhol "fez coisas excepcionais" ao propor a Haidar conceder-lhe asilo político e depois a nacionalidade espanhola, possibilidades que a activista recusou depois de "receber instruções" de "outra parte".

Para o ministro marroquino, Haidar "não é uma militante dos direitos humanos", mas alguém que age "dentro de uma lógica política".

Questionado sobre possíveis soluções para o caso, Fasi Fihri referiu a possibilidade de Haidar voltar a pedir um passaporte marroquino, mas acrescentou de imediato que o governo marroquino terá de ter em conta o efeito na opinião pública marroquina visto que o passaporte "não é um trapo".

A activista saarauí foi detida no passado dia 13 de Novembro pelas autoridades marroquinas, ao chegar a El Aaiún, capital do Saara Ocidental, quando regressava dos Estados Unidos num voo proveniente da Gran Canária. No dia seguinte foi reenviada para Lanzarote e, depois de não ser autorizada a regressar à capital do Saara Ocidental, iniciou uma greve de fome.

Nascida em 1967 em El Aaiún, Aminatu Haidar tem dois filhos e foi galardoada com vários prémios internacionais, incluindo o Prémio de Direitos Humanos Robert F. Kennedy, o austríaco Silver Rose Award e o Prémio de Direitos Humanos Juan María Bandrés.

O Saara Ocidental, ex-colónia espanhola, foi anexado por Marrocos nos anos 1970.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG