UE decide "hoje" resposta à "agressão" da Rússia

Os líderes europeus "vão decidir hoje", quando se reunirem em Bruxelas, "como reagir à agressão" da Rússia contra a Ucrânia, disse hoje a responsável pela diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton.

Na conferência de imprensa que encerrou os trabalhos do encontro de dois dias, que reuniu na cidade italiana de Milão os responsáveis pelas relações externas dos Estados-membros da UE, a britânica Catherine Ashton reconheceu que a crise no Leste da Ucrânia "tomou grande parte" das discussões informais, mas remeteu para os líderes europeus, que esta tarde se vão reunir em cimeira extraordinária, "a decisão mais certa".

Sobre o conteúdo das discussões em Milão, Ashton disse muito pouco e fugiu mesmo à questão de um eventual reforço das sanções económicas da UE contra o regime de Moscovo. "É preciso continuar a pressionar a Rússia para retirar as suas forças da Ucrânia", disse apenas, comunicando que vai "reportar" o resultado das reflexões diplomáticas. Mas os líderes europeus "é que decidirão" o passo seguinte, sublinhou.

Na sexta-feira, o chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete, adiantou que nenhum Estado-membro se opõe ao reforço das sanções contra a Rússia, embora existam "vários graus de apreciação da eficácia" desta medida.

"Todos estamos muito preocupados com a recente agressão contra a Ucrânia por forças regulares russas", frisou Ashton, defendendo "uma solução política sustentada, que respeite a integridade e soberania territoriais ucranianas" e apelando a Moscovo que "pare com as hostilidades e o envio de armas e militares para a zona de conflito".

Ashton adiantou que se vai reunir com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, que está em Bruxelas, onde deverá encontrar-se ainda com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, depois da reunião com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Ao lado de Ashton, na conferência de imprensa, estava Federica Mogherini, chefe da diplomacia de Itália, que atualmente exerce a presidência europeia e apontada como uma possível sucessora da britânica no cargo de alta representante da UE para a política externa e de segurança.

O encontro de Milão permitiu "uma discussão franca e livre" sobre "um momento muito complicado e triste para a UE, de crises e conflitos", reconheceu Federica Mogherini.

Além da crise na Ucrânia, os chefes da diplomacia europeia refletiram sobre a situação em Gaza, apelando a um "acordo político de longa duração" entre israelitas e palestinianos, e sobre a insegurança causada pelos fundamentalistas do Estado Islâmico no Médio Oriente.

Os líderes da diplomacia da UE querem "redobrar os esforços para combater a insegurança causada pelo Estado Islâmico", nomeadamente no Iraque e na Síria, e comprometeram-se com "apoio político e humanitário ao governo iraquiano e às populações curdas", destacou Federica Mogherini.

Sobre o conflito na Faixa de Gaza, instaram israelitas e palestinianos a "aproveitarem a oportunidade para chegarem a um acordo abrangente e durável", que passe pela "solução de dois Estados" independentes.

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