Ucrânia acusa a Rússia de "invasão armada"

A Ucrânia acusou a Rússia de "invasão armada e ocupação" depois de homens armados terem assumido, durante a noite, o controlo de dois aeroportos da Crimeia. Kiev pediu a Londres e Washington que garantam a sua soberania.

"Considero o que está a acontecer como uma invasão armada e uma ocupação. Em violação de todos os acordos e normas internacionais", escreveu o ministro do Interior interino da Ucrânia, Arsen Avakov, no Facebook.

"É uma provocação direta para um banho de sangue no território de um Estado soberano. Já não é da competência do Ministério do Interior. É da competência do Conselho de Segurança e Defesa nacional".

O Parlamento ucraniano votou uma resolução a apelar aos Estados Unidos e Reino Unido para que garantam a sua soberania. Em 1994, EUA, Reino Unido e Rússia ofereceram-se como garantes da independência da Ucrânia em troca de esta renunciar às armas nucleares.

Segundo o ministro do Interior interino ucraniano, "unidades armadas da frota russa bloqueiam" o aeroporto de Belbek, perto da cidade de Sebastopol, na qual "de encontram milhares de militares e guardas fronteiriços ucranianos". Avakov explicou ainda que apesar de o aeroporto não estar a funcionar "não se registaram confrontos armados".

Em Simferopol, também na Crimeira, homens armados tomaram o controlo do aeroporto e "não escondem que pertencem às forças armadas russas".

Nos últimos dois dias, os acontecimentos aceleraram na península russófona da Crimeia, que parece escapar cada vez mais ao controlo das novas autoridades de Kiev. Uma situação que está a preocupar o Ocidente. Em Simferopol, a bandeira russa foi içada no telhado do Parlamento local, controlado por dezenas de homens armados pró-russos. Os deputados demitiram o Governo local e votaram a realização, a 25 de maio, de um referendo para uma maior autonomia.

A Crimeia, habitada maioritariamente por falantes de língua russa, é a região da Ucrânia mais suscetível de se opor às novas autoridades de Kiev. Nos tempos da União Soviética, a Crimeia pertenceu primeiro à Rússia, antes de passar para a Ucrânia em 1954.

A tomada do Parlamento da Crimeia foi considerada "perigosa e irresponsável" pelo secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, que se disse "muito preocupado com a evolução dos acontecimentos" naquela região. Rasmussen apelou ainda à Rússia para que evite "qualquer ação que possa provocar uma escalada na crise ucraniana".

A Rússia, cuja frota militar no Mar Negro está estacionada na Crimeia, terá prometido "respeitar a integridade territorial da Ucrânia", segundo o secretário de Estado americano, John Kerry, que alertou contudo para qualquer "provocação".

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