Terrorismo solitário exige mais dos Governos

Os "lobos solitários", sem ligação a grupos terroristas, constituem um tipo de ameaça que não deve ser descurada. Como o caso de Breivik o prova.

Ainda com as imagens dos atentados de Oslo bem presentes, a União Europeia "exige mais atenção dos governos" para o terrorismo do tipo "lobo solitário". O apelo foi divulgado ontem, em Bruxelas, num comunicado após uma reunião de especialistas em terrorismo dos 27, na qual participaram membros da polícia norueguesa e de autoridades europeias como a Europol, Serviço Europeu de Acção Externa e a Comissão Europeia.

A pensar na actuação de Anders Behring Breivik, os especialistas concluíram que a questão do terrorismo do tipo "lobo solitário", sem ligações a qualquer organização terrorista, representado por elementos "auto-radicalizados", através da Internet, "parece exigir cada vez mais atenção".

O objectivo da reunião de ontem foi promover uma "melhoria na troca e analise informação", num nível europeu, para tomar medidas preventivas, através da coordenação entre polícias de todos os Estados membros. No entanto, questionado sobre a eficácia da coordenação europeia neste âmbito, o especialista do Centro Europeu de Coordenação da Luta contra o Terrorismo, Timothy Jones responde que "nada é totalmente perfeito".

Como medida preventiva, Timothy Jones pensa que no futuro as autoridades devem tornar mais difícil a reparação de atentados, dando como exemplo "restrições fornecimento de todos os materiais que possam ser usados para fazer bombas". Esta medida faz parte dos planos da Comissão Europeia, para apresentar aos Estados membros, na Cimeira de Outono.

Outra das apostas passa por entender o processo mental dos extremistas. Todavia, "é um processo muito difícil de acompanhar", reconhece o especialista, considerando que muitas pessoas têm posições políticas extremas. Mas muito poucas traduzem as suas ideias extremas em terrorismo". Mas se houver "uma compreensão do que leva ao terrorismo estaremos em condições de sinalizar os ataques antes de eles acontecerem".

No final da reunião convocada pela presidência polaca da UE, os especialistas destacaram a "importância do reforço da capacidade de resposta" à preparação de atentados, como o que foi levado a cabo por Breivik, de 32 anos, entretanto acusado de dois crimes de terrorismo.

Durante o encontro, concluiu-se que os processos de radicalização e recrutamento "dependem de uma variedade de factores" que são "independentes da causa que qualquer terrorista pretende promover".

O duplo atentado de Oslo e de Utoya, perpetrado pelo norueguês que protestou contra o islão e contra a multiculturalismo e se arrisca agora à primeira condenação no país, por crimes contra a Humanidade reforça a ideia que o terrorismo "nada tem a ver com qualquer religião em particular", concluiram os especialistas europeus.

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