Tensão entre Governo e partidos nacionalistas aumenta

O debate sobre a independência da Catalunha está a causar crescente tensão entre forças políticas nacionalistas da região e o Governo, com a polémica a chegar ao parlamento europeu e a provocar a demissão de uma dirigente socialista.

A aumentar a tensão esteve, nos últimos dias, uma polémica carta em que eurodeputados catalães denunciaram junto da União Europeia uma suposta ameaça da Espanha de usar forças militares na Catalunha.

Igualmente polémica foi a troca de comentários entre o presidente do Governo, Mariano Rajoy, e o líder da Convergência e União (CiU) e chefe do Governo regional catalão cessante, Artur Mas, em torno do pacto orçamental e económico para a região.

O ex-presidente do Governo, José María Aznar, somou-se também à polémica, afirmando na noite de quarta-feira que Espanha "não se vai romper", advertindo que isso só poderia ocorrer "se a Catalunha sofresse antes a sua própria rutura como sociedade, como cultura e como tradição".

Aznar fez uma acesa defesa da unidade de Espanha, acusando os nacionalistas catalães de "deslealdade" para com o pacto constitucional e afirmando que "quem romper a Constituição terá a porta de saída da Europa".

A polémica intensificou-se nos últimos dias, depois de, numa carta enviada à Comissão Europeia, os eurodeputados Ramon Tremosa (CiU), Raul Romeva (ICV), Maria Badía (PSC), Ana Miranda (ERC) e Maria Badia (PSC) acusarem o vice-presidente do Parlamento Europeu, o espanhol Alejo Vidal-Quadras, e dois ex-coronéis de terem ameaçado com a intervenção das Forças Armadas na Catalunha se for convocado um referendo ilegal sobre autodeterminação.

Depois de ser conhecido o conteúdo da carta -- onde os parlamentares pediam à comissão que se pronunciasse contra a possibilidade de qualquer ação militar contra a população catalã -- o próprio Vidal-Quadras escreveu à Comissão para garantir que ele nunca tinha feito qualquer ameaça desse tipo.

O assunto levou Maria Badia a apresentar a sua demissão como secretária-geral da delegação socialista espanhola no Parlamento Europeu -- mantém-se como eurodeputada --, por assinar uma carta que o próprio líder do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, considerou "absolutamente equivocada".

O assunto chegou ao Congresso de Deputados em Madrid, onde o porta-voz da CiU, Pere Macías, disse compreender o conteúdo da carta, que considerou uma resposta ao "excesso verbal" de alguns ex-membros do Exército sobre o debate independentista na Catalunha.

Em resposta o porta-voz do PP, Alfonso Alonso, pediu "sensatez", considerando que cartas como a enviada à CE são um ataque "à inteligência dos catalães e dos espanhóis".

"Não tem pés nem cabeça, nem sentido. Deveriam refletir e retificar", afirmou Alonso.

Também o primeiro-secretário do PSC (Partido Socialista da Catalunha), Pere Navarro, considerou negativo aumentar a tensão na sociedade catalã através de "linguagem paramilitar", pedindo que se mantenha "a razão e os pontos de diálogo".

Já Oriol Junqueras, presidente da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), alimentou a polémica, pedindo diretamente a Mariano Rajoy que "se comprometa publicamente a não utilizar as Forças Armadas" contra a Catalunha se o povo da região autónoma se expressar a favor da independência.

Noutro desenvolvimento, a Esquerda Unida (IU) tornou pública uma resposta do Governo, datada de 15 de outubro, em que assegurava que os militares reformados "não estão sujeitos às leis penais e disciplinares militares", pelo que não têm limitado o seu direito a expressar-se livremente.

A IU tinha questionado o Governo sobre se pensava tomar qualquer medida disciplinar contra a Associação de Militares Espanhóis (AME), por publicar uma nota em que considera a declaração de sedição à Catalulnha e por expressar "continuas manifestações golpistas".

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