Sociedade civil mais envolvida

Uma analista política considerou que a sociedade civil irlandesa envolveu-se mais na campanha para o segundo referendo ao Tratado de Lisboa e os argumentos concentraram-se sobretudo no contexto do país.

"Esta foi uma campanha muito diferente", afirmou Brigid Laffan, professora de ciência política da Universidade de Dublin, à agência Lusa.

Na sua opinião, o movimento pelo "sim" esteve "muito forte, mais forte do que da outra vez" e os partidos estiveram também mais empenhados.

Os dois principais partidos, o Fianna Fail, no poder, e Fine Gael, na oposição, são ambos a favor da ratificação, tal como os Verdes e o Labour.

Contra estiveram o Sinn Fein, Libertas e os comunistas, que se aproveitaram do facto de o governo ser cada vez "mais impopular" .  

O lado do "não" salientou o estado da economia para atacar o poder, enquanto o "sim" alegou que o país receberá mais ajudas e garantias graças ao pacote negociado por causa do resultado negativo no primeiro referendo.

Todavia, desta vez uma parte importante da campanha foi feita pela sociedade civil, vincou Laffan.

Um dos movimentos criados propositadamente para esta campanha foi a Generation Yes, criada em Abril por jovens e direccionada aos jovens.

"Foi uma campanha muito aguerrida e recebemos bastante adesão", disse Andrew Byrne, director executivo, à Lusa.

Invocando neutralidade política, o grupo defendeu que o Tratado trará à Irlanda benefícios em áreas como o ambiente, economia e o emprego.

Mas enquanto a Generation Yes se empenhou em debates públicos, a Coir, uma organização católica, insistiu na distribuição de folhetos porta-a-porta.

"Desta forma contornámos a inclinação dos 'media' irlandeses e de todos os principais partidos irlandeses que estão a promover este Tratado anti-democrático", justificou Scott Schittl, um dos chefes de campanha da Coir.

A adesão de pessoas de diferentes profissões e classes à campanha, muitas das quais inexperientes em termos de activismo, foi o que mais surpreendeu este responsável, que encontrou mais apoio ao "não" no interior do país.

"Assim que as pessoas têm conhecimento dos factos sobre o Tratado, normalmente chegam à conclusão compreensível de que Lisboa é má, para a Irlanda e para a Europa", contou à Lusa.

Alguns dos argumentos que a Coir, que também fez campanha para o primeiro referendo, usou é que o Tratado pode abrir caminho à legalização do aborto e da eutanásia.

Andrew Byrne lamentou que tenha continuado uma "campanha de medo", mas mostrou-se convicto de que "as pessoas estão mais informadas desta vez".

Na véspera de referendo e com base nas sondagens mais recentes, Brigid Laffan arriscou um prognóstico favorável ao "sim". "Mas vai ser próximo", avisou.

Quanto a consequências políticas, a académica não acredita que o governo possa ser salvo por uma vitória e que resista até ao fim do mandato, em 2012, mas uma derrota significaria o último prego no caixão.

"Este governo está acabado, só depende de quando serão as eleições", observou.

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