Situação de activista sarauí por esclarecer, nova visita de médico

A situação da activista do Saara Ocidental Aminatu Haidar continua por clarificar, depois de três semanas em greve de fome no aeroporto das Canárias, onde hoje será visitada por um médico que avaliará o seu estado de saúde.

Já no domingo à noite, um juiz espanhol, acompanhado por um médico, fez um primeiro exame, no qual comprovou que Haidar ainda está consciente e lúcida. O objectivo é determinar se a activista deve ou não ser transferida para um hospital ou obrigada a alimentar-se.

Perante o agravamento do estado de saúde de Haidar, as autoridades regionais das Canárias tinham solicitado um parecer sobre o que fazer caso a activista corra sério perigo de vida.

Em Espanha, a Lei do Paciente permite que qualquer pessoa recuse tratamentos ainda que corra risco de vida.

As informações sobre o estado de saúde de Haidar têm sido contraditórias nos últimos dias e só deverão ser clarificadas depois da segunda visita hoje do médico.

As autoridades espanholas continuam a tentar resolver um caso que suscita cada vez mais críticas, nacional e internacionalmente, e que hoje chegou mesmo a ser alvo de um protesto no interior do Congresso de Deputados em Madrid.

Vários activistas entraram hoje no parlamento, em dia de portas abertas, e acabaram por ser expulsos depois de terem apresentado fotografias de Haidar.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Miguel Angel Moratinos, está no parlamento para dar conta aos partidos políticos das medidas do governo para tentar resolver a situação.

" saída da reunião, Moratinos anunciou aos jornalistas ter pedido a todos os partidos com assento parlamentar para que apoiem uma iniciativa para pedir a Haidar o fim da greve de fome.

A iniciativa apela a Haidar para que mantenha a sua luta por outros meios, exige a Marrocos que "assuma a responsabilidade" neste caso e pede à ONU que se envolva no caso.

O caso de Aminatu Haidar, que hoje começou a quarta semana em greve de fome, iniciou-se no dia 13 de Novembro, quando regressava de Nova Iorque, onde recebeu o Prémio de Direitos Humanos da Fundação Robert Kennedy.

Depois de ser expulsa, a 14 de Novembro, do Saara Ocidental pelas autoridades marroquinas - que lhe confiscaram o passaporte, Haidar ficou no aeroporto de Lanzarote (Canárias).

No sábado passado chegou a estar prevista a viagem de Haidar de regresso a casa, mas Marrocos acabou por não autorizar o voo para El Aaiún.

Durante a greve de fome, muitas figuras públicas apoiaram a activista sarauí de diferentes maneiras.

Nascida em 1967 em El Aaiún, Aminatu Haidar tem dois filhos e foi galardoada com vários prémios internacionais, incluindo o Prémio de Direitos Humanos Robert F. Kennedy, o austríaco Silver Rose Award e o Prémio de Direitos Humanos Juan María Bandrés.

Recentemente recebeu o Prémio Coragem 2009 atribuído pela Fundação Train, dos Estados Unidos.

O Saara Ocidental, ex-colónia espanhola, foi anexado por Marrocos nos anos 1970. Desde então, a Frente Polisário reclama a independência da região.

O governo de Marrocos, apoiado nomeadamente pelos Estados Unidos, ofereceu uma ampla autonomia à região, mas a Frente Polisário, apoiada pela Argélia, recusou e exigiu um referendo sobre a autodeterminação da região.

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