Rubalcaba diz que Espanha "está em estado crítico"

O líder socialista espanhol considerou ontem que o estado da nação é "crítico" devido à gestão "simplesmente desastrosa" do Governo liderado por Mariano Rajoy, que deixou Espanha "pior que há um ano".

Alfredo Pérez Rubalcaba falava no discurso de réplica a Mariano Rajoy no arranque da sessão da tarde do plenário de debate do estado da nação, que decorre até quinta-feira no Congresso de Deputados em Madrid.

"Tudo está pior que há um ano, a incerteza de então é desespero. Sozinho, em apenas 14 meses, destruiu todo o capital político que as urnas lhe deram. Nunca houve um Governo com uma maioria parlamentar tão ampla e uma debilidade tão grande", disse.

"Recessão, desemprego e desigualdade", disse Rubalcaba, considerando que esse é o resumo do Governo do PP, que aplicou políticas de "dureza para os honrados e de benevolência para os defraudadores".

"O resultado de 15 meses de Governo do PP é um país empobrecido, uma população indefesa e uma Espanha entristecida", considerou.

Pela terceira vez, Alfredo Pérez Rubalcaba, pediu a demissão de Mariano Rajoy, afirmando que não se pode governar um país pendente, cada manhã, de que o ex-tesoureiro do PP, Luis Barcenas, tenha "um ataque de sinceridade".

Rubalcaba referia-se á polémica em torno à publicação pelo jornal El Pais de documentos que alegadamente referem a existência de uma contabilidade paralela no PP, com pagamentos aos principais dirigentes, incluindo Rajoy.

Rajoy negou já qualquer ilegalidade e publicou as contas do partido e as suas próprias declarações de património e rendimento dos últimos anos.

Na sua intervenção, o líder socialista questionou as medidas de contenção orçamental, afirmando que já ninguém acredita nas previsões do Governo, e atacou os cortes do Governo aos setores de educação e saúde.

"Conseguiu que pessoas idosas abandonem os seus tratamentos porque preferem dedicar o seu dinheiro a alimentar as suas famílias. Expulsaram grupos interiores do sistema de saúde", disse.

"O objetivo do sistema de saúde público não é que alguém ganhe dinheiro mas sim curar os cidadãos, tenham ou não tenham recursos. Ninguém vai acreditar que meter médicos na rua ou fechar as urgências seja uma boa forma de lutar contra a crise", afirmou.

Rubalcaba considerou que da gestão da crise, o Governo criou "uma nova modalidade de sistema de saúde", com "hospitais de primeira para os assegurados de primeira e hospitais públicos depauperados para o resto dos cidadãos".

Para o líder do PSOE, o Governo está a destruir "direitos sociais básicos construídos por todos os espanhóis", disse.

Um cenário, afirmou, em que se multiplicam as notícias sobre corrupção, o que cria "um grave perigo".

"A corrupção é explosiva para o sistema democrático", disse.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG