Reino Unido não apoia salvamentos no Mediterrâneo porque criam "fator de atração involuntário"

Organizações de direitos humanos contestam decisão do governo britânico, alegando que a suspensão de operações de salvamento não fará imigrantes desistir da Europa.

Organizações de direitos humanos reagiram em protesto contra as declarações do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, que se recusa a apoiar as operações de resgate e salvamento no Mediterrâneo dos imigrantes que tentam chegar à Europa.

A secretária de Estado, Joyce Anelay, respondeu por escrito à questão publicada na Câmara dos Lordes, dizendo que "estas operações criam um fator de atração involuntário que incentiva a que mais imigrantes tentem a perigosa travessia por mar e, em consequência, tenham mortes trágicas e inúteis".

A posição do governo do Reino Unido é agir nos países de origem dos imigrantes, lutando contra os traficantes que colocam as vidas das pessoas em risco.

Maurice Wren, do Conselho Britânico para os Refugiados, respondeu à recusa do governo em participar nas futuras operações de resgate e salvamento dizendo que o executivo parece ignorar que o mundo vive uma das maiores crises de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.

Citado pelo Guardian, acrescentou que as "pessoas que fogem de atrocidades não deixarão de vir se deixarmos de lhes atirar bóias de salvamento. Embarcar num barco frágil na Líbia vai continuar a parecer uma decisão racional se foges para salvar a vida e o teu país está em chamas. O único resultado de retirar ajuda será testemunhar as mortes vergonhosas e desnecessárias à porta da Europa", concluiu.

No mês passado, a Amnistia Internacional já tinha escrito ao executivo criticando a resposta dos países europeus à inaceitável perda de vidas, consequência dos fluxos migratórios de refugiados e migrantes em barcos na travessia do Mediterrâneo.

A troca de acusações surge numa altura em que tudo indica que a missão italiana "Mare Nostrum", criada há um ano, depois de dois naufrágios mortais, vá ser muito reduzida ou mesmo cancelada. A entrada em funcionamento da missão europeia "Triton", que patrulhará apenas águas internacionais, está prevista para o próximo sábado e não tem o apoio do Reino Unido.

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