Referendo foi forma de tentar dividir Europa, diz Berlim

O chefe da diplomacia alemã considerou hoje o referendo na Crimeia como uma forma de tentar dividir a Europa e uma violação do direito internacional.

A declaração de Frank-Walter Steinmeier foi feita aos jornalistas no final de um encontro com o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniouk, no qual foi debatida uma eventual ajuda técnica da Alemanha às forças armadas da Ucrânia.

"Analisámos a questão da cooperação técnica militar para ajudar a melhorar os equipamentos e reforçar as forças armadas ucranianas", declarou o primeiro-ministro interino ucraniano.

Entretanto, hoje o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou a sua "solidariedade com o povo e o Governo da Ucrânia" pela situação com a península da Crimeia, incorporada na Rússia depois de 97% de votos obtidos em referendo.

O povo ucraniano "vive um trauma que não deveria sofrer país nenhum", disse Ban Ki-moon.

A Rússia já veio lamentar as novas sanções adotadas pela União Europeia em resposta pela anexação da Crimeia, considerando Moscovo que está no direito de responder de forma recíproca a Bruxelas.

"É uma pena que o Conselho Europeu tenha tomado uma decisão afastada da realidade. Acreditamos que é tempo de voltar ao terreno pragmático da cooperação que responde aos interesses dos nossos países", disse hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandr Lukashévich.

Manifestando disponibilidade para o diálogo, o porta-voz adiantou contudo que "a parte russa reserva-se o direito de dar uma resposta adequada à medida tomada" por Bruxelas.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, reunidos entre quinta e sexta-feira em Bruxelas, decidiram reforçar as sanções contra a Rússia devido à anexação da Crimeia, acrescentando 12 nomes à lista de pessoas alvo de sanções.

Os líderes europeus decidiram alargar para 33 a lista de personalidades alvo de sanções -- a lista anterior incluía 21 nomes -- e cancelar a próxima cimeira UE-Rússia, prevista para junho, além das cimeiras bilaterais entre Estados-membros e Rússia.

Entretanto, a Rússia manifestou também hoje esperança no sucesso da missão da Organização para a Segurança e Cooperação e Económica (OSCE), mas que não terá acesso à Crimeia.

A OSCE vai "enviar para a Ucrânia observadores internacionais numa missão de acompanhamento especial", de acordo com uma resolução aprovada pelos 57 Estados-membros da organização.

Os observadores deverão permanecer na Ucrânia durante seis meses, pelo menos, podendo o prazo da missão ser estendido a pedido do país, mediante aprovação dos Estados-membros da OSCE.

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