Putin ordena criação de rede de bases navais no Ártico

O Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou hoje a criação de uma rede unificada de bases navais no Ártico, a fim de defender os interesses russos na região, cujo controlo também é pretendido por outros países, incluindo os Estados Unidos.

"Trata-se de criar um sistema unificado de bases navais para navios e submarinos de nova geração na nossa parte do Ártico", afirmou Putin, citado pelas agências de notícias russas.

Putin, que fez estas declarações durante uma reunião do Conselho de Segurança dedicada à política russa no Ártico, sublinhou a importância de "reforçar a infraestrutura militar" na região.

"As instalações de extração de gás e petróleo, os terminais de carga e os oleodutos devem ser protegidos de maneira eficaz contra as ameaças terroristas e outras ameaças potenciais", disse.

Entre outras medidas, ordenou o reforço das unidades que garantem a segurança das fronteiras setentrionais da Rússia, em particular, através do fortalecimento dos destacamentos de guardas de fronteiras do Serviço Federal de Segurança (FSB, antiga KGB).

A Rússia já reabriu, no ano passado, a base militar situada nas ilhas Novosibirsk, no Oceano Ártico e tem previsto fazer o mesmo em outros portos e aeródromos encerrados depois da queda da União Soviética por falta de fundos.

Putin, que considera o Ártico "parte inalienável" do território russo, ordenou hoje ao Governo que elabore um programa de financiamento social e económico para a região, que entraria em vigor a partir de 2017 e estaria concluído em 2020.

Segundo o Presidente russo, o interesse da comunidade internacional no Ártico aumentou a passos largos, por isso, a Rússia deve coordenar seus passos nessa região através de um só organismo estatal.

"Cada vez mais nossos interesses chocam com os interesses de outros países. Por isso, neste contexto, devemos tomar medidas para não ficarmos para trás, conservar a influência russa na região e adiantar-nos aos nossos parceiros", sublinhou.

Segundo os especialistas, a plataforma continental ártica tem uma quarta parte dos recursos energéticos do planeta, enquanto a parte do Ártico russo abriga 1,6 biliões de toneladas de hidrocarbonetos.

O prognóstico do transporte pela rota marítima do Ártico em 2015, em alternativa ao Canal de Suez, levou Putin a acelerar a construção de quebra-gelos, movidos por diesel ou energia atómica.

Por tudo isso, defende diante de organismos internacionais, como a ONU, a soberania nacional dos territórios russos na região, seja na plataforma continental ou no mar.

Putin recordou que solicitou, recentemente, à ONU os direitos de uma grande parte da plataforma continental no Mar de Okhotsk, que é delimitado pela ilha japonesa de Hokkaido.

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