Primeiro-ministro reitera apelo de união face novas medidas de austeridade

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, fez hoje um novo e desesperado apelo às forças da oposição para apoiarem os planos do governo socialista helénico, de forma a ultrapassar a grave crise que afecta a Grécia.

"É mais fácil fazer mudanças se contarmos com o apoio de todos os partidos, com o maior consenso possível", afirmou Papandreou, em declarações ao canal estatal grego NET. O líder do partido socialista grego (PASOK), que está em Bruxelas a participar no Conselho Europeu, referiu que é necessária "a cooperação de todos os partidos para um novo sistema de impostos", pedindo ainda que "os partidos contribuam com as suas ideias". Em Bruxelas, o primeiro-ministro grego divulgou hoje que o novo plano de ajuda financeira prometido à Grécia em troca de mais um pacote de austeridade terá um montante "similar" ao do primeiro empréstimo, que atingia os 110 mil milhões de euros.

Os líderes da União Europeia (UE) prometeram evitar que a Grécia entre em incumprimento, mas condicionaram a ajuda financeira a este país a um novo pacote de austeridade de 78 mil milhões de euros, que inclui, entre outros aspectos, aumentos de impostos e uma nova vaga de privatizações. Os conservadores da Nova Democracia, que conta com 86 dos 300 assentos do Parlamento grego, deixaram hoje claro que no debate parlamentar, agendado para terça e quarta-feira, irão votar contra as medidas, apesar da pressão dos líderes europeus. O porta-voz do ND, Yanis Mijelakis, declarou que os conservadores gregos "não podem apoiar políticas erróneas, que aprofundam a recessão".

O líder do partido de extrema direita LAOS, Yorgos Karatzaferis, com 15 cargos parlamentares, exigiu hoje que o novo pacote de medidas sejam aprovado por 180 votos - uma disposição parlamentar para casos de relevância nacional-, e não por uma maioria parlamentar, ou seja, 151 votos. Também o partido Comunista grego (KKE), com 21 assentos parlamentares, anunciou hoje que "vai votar contra as medidas" e que vai pedir uma votação aberta, como aquela que ocorreu esta semana com a moção de confiança ao novo executivo de Papandreou. Dois parlamentares socialistas afirmaram, entretanto, que também têm a intenção de aliar-se ao "Não" da oposição. "Não percebo porque não me apoiam agora depois de terem dado o voto de confiança", disse hoje Papandreou, num tom amargurado, assegurando ainda ter procurado "as concertações necessárias para avançar com as mudanças".

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