Presidente da Bósnia responsabiliza políticos pelos protestos sociais

O representante croata que assume a presidência rotativa da Bósnia-Herzegovina, Zeljko Komsic, reconheceu hoje que os protestos que alastram no país são motivados por problemas que se acumulam há anos, e apontou a responsabilidade aos dirigentes políticos locais.

"É tudo por culpa nossa. Não sei se o poder estatal poderá funcionar, mas deveria fazê-lo. O poder deve funcionar sempre, este ou outro. Porque não vem nada de bom da anarquia", considerou o político croata bósnio, que partilha a presidência colegial e rotativa do país com um representantes dos sérvios e muçulmanos da Bósnia.

"O povo não começou a protestar por odiar alguém ou pela orientação política, ou pelo nome de alguém, mas sim pela desgraça, miséria e injustiça que os oprime com persistência", acrescentou em declarações a uma televisão local.

Komsic opôs-se ao uso da força contra os cidadãos e considerou que "caso se tivesse dialogado com as pessoas no primeiro dia não existiriam as imagens que há agora por toda a Bósnia-Herzegovina".

O presidente em funções da liderança colegial anunciou ainda a convocação de uma reunião de emergência da instituição.

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Sarajevo, Tuzla, Zenica, Bihac e dezenas de outras cidades e povoações bósnias, em protesto contra o encerramento de várias fábricas, a pobreza, a corrupção política nesta ex-república jugoslava dividida em duas entidades após o fim da guerra civil (1992-1995).

Durante os protestos registaram-se violentos confrontos com a polícia, ataques a edifícios governamentais, ou destruições e saques de estabelecimentos comerciais.

Os protestos iniciaram-se na quarta-feira em Tuzla (nordeste) devido ao encerramento de várias fábricas após pouco transparentes processos de privatização, e rapidamente alastraram a outras cidades.

Ainda hoje, o ministro do Interior da Bósnia, Fahrudin Radoncic, foi forçado a definir os protestos como "um tsunami dos cidadãos roubados" contra a corrupção e criticou os governos cantonais de "falta de sensibilidade" face aos anseios das populações.

"A privatização saqueadora foi horrível. Ainda pior, temos um sistema policial em que, de facto, os primeiros-ministros locais ordenam que se maltrate o seu povo, algo inaceitável", acrescentou Radoncic.

Na sequência dos acordo de paz de Dayton, em finais de 1995, a Bósnia-Herzegovina é integrada por duas entidades (federação croato-muçulmana e república sérvia), para além das instituições centrais, com poderes muito reduzidos.

A federação croato-muçulmana, caracterizada pela instabilidade política e económica, possui uma estrutura complexa, dividida em dez cantões com o seu próprio governo e parlamento.

PCR // JMR

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