Português retido há duas semanas em Sarajevo

Um estudante português de 27 anos está retido há cerca de duas semanas em Sarajevo, capital da Bósnia, a aguardar o desenrolar de um processo-crime na sequência de um acidente de viação, que causou um ferido ligeiro.

"É uma situação que já está passar todos os limites do tolerável, já que me encontro retido desde 28 de abril por causa de um mero acidente de viação", disse à agência Lusa Joaquim Pimenta, a quem depois de uma noite na prisão, foi aplicada a obrigatoriedade de permanecer no país, ficando sem os documentos de identificação.

Joaquim fazia parte de um grupo de cerca de dez jovens, entre os quais estudantes de Erasmus em Ljubljana (Eslovénia) e Viena (Áustria), que decidiram alugar dois carros e visitar Belgrado (Sérvia) e Sarajevo (Bósnia).

Foi na capital bósnia onde o carro conduzido pelo jovem de 27 anos bateu num carro.

"Foi um pequeno acidente, nada de muito grave (...) A culpa foi-me imputada pois tinha um sinal de prioridade a respeitar", conta Joaquim, que assume as culpas do "pequeno descuido".

O acidente, que apenas aparentava ter provocado alguns danos materiais, acabou, contudo, por ganhar outros contornos, explicou.

"Tudo não passaria de danos materiais não fosse o facto de no outro veículo o pendura ter fraturado o braço ou o cotovelo, não sei precisar, uma vez que ia sem cinto de segurança", afirmou.

Passados os primeiros "momentos de choque", seguiram largas horas de espera no local do acidente para que se procedessem a todas as formalidades.

Quando tudo parecia estar resolvido, Joaquim disse aos amigos para voltarem ao 'hostel', enquanto ele ia prestar declarações à polícia. Ao chegar a esquadra acabou detido e teve de passar a noite na cadeia.

"Recebemos uma mensagem dele a dizer que teria sido detido e que passaria toda a noite sem poder falar connosco", contou à Lusa Joana Francisco, uma das jovens que participou na viagem.

"Só no dia seguinte é que percebemos o porquê da sua detenção: na Bósnia quando acontece um acidente com feridos é considerado crime", explicou.

A jovem de 25 anos disse que só conseguiram contactar com o seu colega no dia seguinte, em que "supostamente estava previsto" que fosse apresentado a um juiz, algo que não veio a acontecer, acrescentou.

Joaquim foi libertado nesse mesmo dia graças à intervenção da embaixada de Espanha em Sarajevo, entretanto contactada pelos jovens, e sob condição de ter de permanecer no mínimo dez dias em Sarajevo.

Foi-lhe também aplicada a medida de coação de detenção no domicílio (hostel) e a obrigatoriedade de se apresentar diariamente na embaixada de Espanha, a quem tem de pedir autorização para poder deixar o hostel, segundo as várias fontes contactadas pela Lusa.

O estudante portugueês queixa-se da falta de informação por parte das autoridades bósnias e afirma-se "prejudicado pelo arrastar de uma situação" que em Portugal ou noutros países "seria resolvida por companhias de seguro".

O jovem referiu que em princípio só será presente a um juiz no dia 24 de maio, quase um mês depois do acidente.

"Tenho que voltar à Eslovénia o quanto antes dada a alta probabilidade de perder um ano letivo de estudos (...) E também não possa estar aqui a pagar diariamente alojamento à espera de ouvir minha sentença", critica.

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