Polícia quer saber porque Breivik tinha 'walkie takie'

Autoridades vão interrogar de novo Anders Breivik para saber mais de eventuais duas 'células' de extremistas

A polícia norueguesa vai interrogar de novo o autor confesso dos ataques de sexta-feira na Noruega, Anders Behring Breivik, para esclarecer algumas questões, nomeadamente por que motivo tinha um 'walkie talkie' e quais as outras "células" de que falou.

Durante este segundo interrogatório, Breivik será questionado sobre "as muitas informações recebidas nos últimos dias", indicou Paal-Fredrik Hjort Kraby, um dos responsáveis pelo inquérito, em declarações aos jornalistas.

Breivik reconheceu ser o autor dos ataques de 22 de Julho e disse ter agido sozinho, mas a polícia continua a procurar eventuais cúmplices tanto no país como em possíveis ramificações no estrangeiro.

"Dissemos sempre que não é de excluir que outras pessoas estejam envolvidas e investigamos essa possibilidade", disse à France Presse um porta-voz da polícia de Oslo, Henning Holtaas.

"A teoria sobre eventuais cumplicidades tem-se tornado mais fraca com o tempo", acrescentou, sublinhando que "nada foi encontrado" nos locais dos ataques para sustentar esta tese.

Depois de ter feito explodir em Oslo um carro armadilhado junto à sede do governo, provocando oito mortos, Breivik, um extremista de direita de 32 anos, matou a tiro 68 pessoas na ilha de Utoya, onde cerca de 600 jovens participavam numa iniciativa da juventude trabalhista.

Hoje, a polícia norueguesa anunciou o fim das buscas em redor da ilha para encontrar desaparecidos, mas não precisou se o número de vítimas mortais do duplo atentado se mantém em 76.

Em Oslo, a polícia tenta ainda desvendar alguns mistérios em torno deste caso, depois de sobreviventes de Utoya terem referido que Breivik apareceu na ilha vestido como um polícia e com todo o equipamento, armas e um "walkie talkie".

As autoridades não sabem se o aparelho foi utilizado apenas como parte do disfarce ou se terá servido para comunicar com eventuais cúmplices.

Segundo Geir Lippestad, advogado de Breivik, o suspeito disse-se envolvido numa cruzada para salvar a Noruega e da Europa Ocidental "da invasão muçulmana" e falou numa organização com duas células na Noruega e várias no estrangeiro.

"Até agora não temos nenhuma informação ou indicação de cúmplices ou de outras células na Europa", disse à France Presse Janne Kristiansen, diretora dos Serviços de Segurança da Polícia.

Em prisão preventiva desde segunda-feira e por um período renovável de oito semanas, Anders Behring Breivik deverá ser submetido a exames psiquiátricos

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