Polícia espanhola deteve 51 pessoas em megaoperação contra a corrupção em Madrid

A polícia espanhola deteve hoje 51 pessoas, incluindo o ex-secretário-geral do Partido Popular (PP) em Madrid Francisco Granados e vários construtores civis numa megaoperação contra a corrupção que envolveu rusgas em empresas e casas particulares.

Segundo afirmou a Procuradoria Especial contra a Corrupção e o Crime Organizado em comunicado, a operação visou uma "rede de corrupção municipal e regional infiltrada em várias autarquias e comunidades autónomas".

A operação decorreu principalmente nas regiões de Madrid, Múrcia, Leão, Valência onde foi detetada "conivência dos responsáveis municipais e funcionários com empresários de sociedades construtoras, obras e serviços energéticos",

Em causa estão adjudicações públicas por um valor aproximado de 250 milhões de euros "só nos últimos dois anos", sobre as quais terá havido como contrapartida o pagamento de comissões ilegais.

A investigação foi iniciada em janeiro deste ano graças a cooperação internacional, com informação facilitada pelas autoridades suíças por "suspeitas graves de branqueamento".

Em causa estão delitos de branqueamento de capitais, falsificação de documentos, delitos fiscais, burla, tráfico de influências, desvio de fundos públicos, prevaricação, revelação de segredos, negociações proibidas a funcionários, fraudes contra a administração e organização criminal.

Entre os detidos está Francisco Granados - que foi número dois da ex-presidente do Governo regional, Esperanza Aguirre, e que foi destituído do cargo de secretário-geral do PP no final de 2011 - e que está a ser investigado por uma conta com 1,5 milhões de euros.

Em fevereiro deste ano, Francisco Granados renunciou ao mandato no Senado espanhol depois da publicação das primeiras notícias relativas à existência da sua conta na Suiça, que terá mantido, alegadamente, quando era alcaide (presidente) do município de Valdemorillo, nos arredores de Madrid.

Na altura, Granados tinha garantido não ter qualquer conta na Suíça, admitindo que possuiu uma, com um saldo de 300 mil euros, entre 1996 e 2000, devido ao seu trabalho na bolsa de investimento.

Granados - que foi secretário-geral do PP em Madrid entre 2004 e 2011, manteve, segundo as autoridades suíças, uma conta no país entre 1999 e 2013.

Um juiz espanhol está a investigar, desde final de 2013, a procedência dos fundos, sob suspeita de que podem tem origem em comissões ilícitas por requalificações fraudulentas de terrenos e outras obras

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