Polícia detém filho de ex-presidente catalão em caso de branqueamento de capitais

A Polícia Nacional espanhola deteve Oleguer Pujol Ferrusola, filho do ex-presidente catalão Jordi Pujol, no âmbito de uma operação de combate a branqueamento de capitais.

A detenção foi ordenada pelo tribunal Audiência Nacional na sequência de rusgas na casa e empresas de Oleguer Pujol Ferrusola.

Em causa, segundo fontes judiciais, está a investigação da compra de um hotel no arquipélago das Canárias com dinheiro de origem desconhecida procedente do paraíso fiscal das Ilhas Virgens, o que pode constituir branqueamento de capitais.

O juiz responsável pelo caso, Santiago Pedraz, está igualmente a investigar a participação de Oleguer Pujol em sociedades participadas por empresas com sede no Luxemburgo e na Holanda e noutras em que é administrador.

A família Pujol está a ser alvo de uma ampla investigação por alegado branqueamento de capitais e outros crimes. No final de setembro, a imprensa espanhola referiu um relatório policial segundo o qual a família do ex-presidente catalão tinha movimentado 581 milhões de euros fora de Espanha nos últimos cinco anos.

O relatório baseia-se, segundo o jornal El Mundo, em informação de entidades financeiras da Suíça, Andorra e Luxemburgo e refere-se a valores controlados pelos três filhos do ex-presidente: Jordi, Oleguer e Josep.

Esse valor, refere o jornal, exclui os fundos que os filhos "gerem através de 'testas-de-ferro'" e os "mais de 2.500 milhões que Oleguer investiu através de sociedades 'offshore' na compra das sedes da Prisa, de 105 escritórios da Bankia e de 1.152 sucursais do Santander e da sua Cidade Financeira".

Paralelamente, continua a polémica em torno do dinheiro que o próprio ex-presidente catalão manteve durante 30 anos em bancos fora de Espanha.

Jordi Pujol, uma das principais figuras da política catalã, confessou, numa carta de 25 de julho, que a sua família não tinha regularizado uma fortuna no valor de mais de 4 milhões de euros, que alega ser proveniente de uma herança e que estava depositada em bancos de Andorra.

Nesse dia, Jordi Pujol apresentou uma denúncia contra desconhecidos por terem revelado a existência das contas da família.

Numa audição no parlamento catalão, o ex-líder regional garantiu que nunca foi um político corrupto, mas a sua confissão causou uma forte convulsão política na Catalunha e no resto de Espanha, tendo-lhe sido exigido que renunciasse a todos os privilégios de que gozava em função do cargo que ocupou durante 23 anos.

O 'caso' Pujol aconteceu numa altura em que um dos seus filhos, Jordi Pujol Ferrusola, já era arguido por alegado branqueamento de capitais e outros delitos.

Na sua primeira audição como arguido, Pujol Ferrusola rejeitou ter recebido quaisquer comissões para interceder em adjudicações, garantindo que o trabalho que realizou para várias empresas foi sempre real.

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