Pérez Esquivel diz que Papa "não foi cúmplice da ditadura"

O prémio Nobel da paz argentino, Adolfo Pérez Esquivel, disse ontem que o Papa "não foi cúmplice da ditadura" no seu país, depois de um encontro com Francisco no Vaticano.

"Ele não tem nada a ver com a ditadura. Não foi cúmplice da ditadura e não colaborou com ela", disse aos jornalistas Pérez Esquivel, rejeitando as acusações de conivência com a junta militar argentina que voltaram a ser referidas após a eleição de Mario Jorge Bergoglio como Papa, a 13 de março. "Houve bispos cúmplices com a ditadura, mas não Bergoglio", referiu.

Pérez Esquivel, que recebeu o Nobel em 1980 pela sua defesa dos direitos humanos durante a ditadura, disse que a reunião com o Papa foi "um reencontro", porque já conhecia o Papa. "Encontrei-o bem, seguro e disposto a cumprir com a sua missão apostólica", indicou.

Segundo as declarações recolhidas pelos media argentinos, Pérez Esquivel disse ter falado com Francisco do desafio que representa haver pela primeira vez um Papa latino-americano. "Falámos de direitos humanos. Disse-me que temos que procurar a verdade, a justiça, falámos do facto de os direitos humanos serem integrais e que não podemos limitá-los aos assassinatos durante a ditadura, mas também à pobreza, ao ambiente e à vida dos povos".

"Pediu-me que rezasse por ele e comprometi-me a acompanhá-lo", afirmou.

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