Parlamento russo aprova uso do exército na Ucrânia

(Atualizada às 17.00) O Presidente russo, Vladimir Putin, pediu ao Conselho da Federação (câmara alta do Parlamento) que aprovasse o "recurso ao exército russo na Ucrânia" até à normalização da situação. A proposta foi aprovada por unanimidade durante uma sessão extraordinária, mas Putin ainda não tomou uma decisão final, segundo o seu porta-voz.

"Por causa da situação extraordinária na Ucrânia e a ameaça que pesa sobre a vida dos cidadãos russos, dos nossos compatriotas, das forças armadas russas destacadas na Ucrânia", Putin pediu a autorização para "recorrer às forças armadas russas sobre o territória da Ucrânia, até à normalização da situação política neste país", de acordo com o comunicado da presidência, citado pela AFP.

Duas horas depois, recebia a autorização, numa votação unânime. A aprovação do recurso ao exército russo na Ucrânia "é o ponto de vista do Conselho da Federação. É o Presidente que tomará a decisão. Para já, não houve decisão nesse sentido", afirmou Dmitri Peskov, citado pela agência oficial Ria Novosti. Putin terá também de se pronunciar sobre o pedido, feito pela câmara alta do Parlamento, de retirar o embaixador russo de Washington.

Mais cedo, a presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, tinha dito que a Rússia podia enviar soldados para a Crimeia para garantir a segurança da frota russa no mar Negro e dos cidadãos russos nessa península do sul da Ucrânia. "A decisão cabe evidentemente ao Presidente do nosso país, que é o chefe de Estado maior do Exército", afirmou.

A frota russa, destacada em Sébastopol, é composta por 20 mil homens. As autoridades ucranianas acusam a Rússia de ter já colocado seis mil soldados suplentes na Crimeia.

O novo primeiro-ministro da Crimeia, uma região autónoma da Ucrânia, pró-russa, que tem sido afetada por tensões separatistas, pediu a Putin que ajudasse a restaurar "a paz e a calma" na área. O Kremlin indicou que o pedido de ajuda de Sergii Aksionov não seria ignorado.

O Presidente interino da Ucrânia, Olexandre Tourtchinov, publicou entretanto um decreto no qual recusa reconhecer a legitimidade de Aksionov, alegando que "a sua nomeação é produto da violação das leis ucranianas".

Axionov anunciou que o referendo sobre uma maior autonomia na região, inicialmente previsto para 25 de maio, terá lugar a 30 de março "tendo em conta a situação e que o conflito ultrapassou os limites do bom senso".

O ministro da Defesa da Ucrânia

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