Pais também são culpados dos casos de pedofilia

O presidente do conferência episcopal polaca, o arcebispo Jozef Michalik, afirmou hoje que os pais também são culpados em determinados casos de pedofilia, incluindo aqueles que envolvem elementos da Igreja católica.

O comentário do representante eclesiástico surge após a denúncia de alegados atos de pedofilia envolvendo religiosos na Polónia, um dos países mais católicos da Europa.

"Muitos desses casos de abuso [sexual] poderiam ser evitados através de um relacionamento saudável entre os pais", disse o arcebispo, em declarações à agência noticiosa polaca PAP, em Varsóvia.

"Muitas vezes ouvimos que esta atitude inapropriada [pedofilia], ou abuso, manifesta-se quando a criança está à procura de amor", referiu Michalik.

"Ela [a criança] apega-se, ela procura. Perde-se em si e arrasta outra pessoa", prosseguiu o arcebispo.

Apesar de condenar os casos de pedofilia entre membros do clero, "que ninguém, nem a Igreja ou qualquer homem da Igreja pode aceitar", Michalik também denunciou os efeitos dos divórcios no quotidiano das crianças.

"Quantas feridas ficam nos corações das crianças, na vida das crianças, quando os pais se separaram. Um divórcio é um grande dano para a criança", disse o religioso.

"É óbvio que o abuso sexual é um grande mal, não nos podemos esquecer, mas não é a única coisa" que provoca danos, reforçou.

Numa atitude sem precedentes, os líderes da Igreja polaca pediram desculpas, no início deste mês, pelos alegados atos de pedofilia cometidos por padres polacos.

O núncio apostólico da República Dominicana, Josef Wesolowski, 65 anos, natural da Polónia, foi acusado por diversos 'media' dominicanos -- em particular uma reportagem de investigação da jornalista Nuria Piera transmitida nos canais de televisão 9 e 37 do país -- de supostamente pagar para praticar sexo com menores na "zona colonial", o centro histórico de Santo Domingo, a capital do país caribenho.

No início de setembro, o porta-voz do Vaticano divulgou que Josef Wesolowski tinha sido destituído do cargo, indicando na mesma altura que as investigações prosseguiam em Roma sobre o alegado envolvimento do monsenhor em casos de abuso sexual de menores.

Josef Wesolowski assumia o cargo de núncio apostólico há cinco anos.

O papa Francisco prometeu conter os abusos na Igreja católica, na sequência de uma série de revelações que já tinham surgido no decurso do pontificado do seu antecessor, Bento XVI.

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