Oposição critica discurso "dececionante" e "triunfalista"

Os partidos da oposição espanhola criticaram hoje o discurso de Mariano Rajoy, presidente do Governo, no arranque do debate do Estado da Nação, classificando-o de "dececionante", "triunfalista" e "distanciado da realidade".

Para Soraya Rodríguez (PSOE), "os cidadãos não se viram reconhecidos na intervenção do presidente", que apresentou "propostas muito dececionantes", incluindo as de combate ao desemprego.

"Não se pode falar de 1.000 milhões (de euros) contra o desemprego juvenil quando este Governo reduziu em 4.000 milhões as ajudas a este setor nos seus dois orçamentos", afirmou Rodríguez.

"Há predisposição para discutir e aprovar propostas contra a corrupção, mas o pior não é isso senão demonstrar que há impunidade. Para que não haja impunidade deve haver responsabilidades penais e políticas", disse, pedindo mais explicações a Rajoy.

Já Duran Lleida (CiU) considerou o discurso "excessivamente triunfalista", com o presidente a repetir "as mesmas (medidas) anunciadas no debate de investidura, que depois não se cumpriram".

"Sobre as suas reflexões sobre a estrutura do Estado, o senhor Rajoy não está em condições de dar lições a ninguém sobre o que é cumprir e acatar a Constituição", disse o porta-voz dos conservadores da Catalunha.

Crítico das medidas propostas foi também José Luis Centella (Esquerda Plural), para quem o presidente "insinuou" que a crise é culpa de todos.

"A crise não é culpa de todos como insinua o presidente. Há culpados e vítimas, às quais o presidente não dirigiu nenhuma palavra", disse, referindo-se especificamente às centenas de milhares de espanhóis despejados das suas casas.

"Este Governo faz os deveres relativamente ao senhor Draghi mas não relativamente aos seus cidadãos", considerou.

Crítica foi também Rosa Díez (UPyD), que considerou que Mariano Rajoy conseguiu com este discurso ficar "abaixo das expectativas" que ela própria tinha antes da intervenção "marcada pela inevitabilidade".

"Todo o seu discurso esteve dominado pela inevitabilidade, tudo o que tem feito, teve que o fazer porque era inevitável. A declaração foi penosa e frustrante, cheia de contradições", disse.

"Em alguns momentos pareceu-me estar a escutar o debate de investidura, falando do mau que estava tudo quando chegaram ao executivo", considerou.

Também as forças bascas se mostraram críticas, tendo Aitor Esteban (PNV) questionado o facto de Rajoy "nem sequer ter posto em dúvida algumas das medidas que evidentemente não saíram bem".

"As medidas anunciadas são de continuidade, não solucionam nada e fazem sofrer os mesmos de sempre", disse.

Para Mikel Errekondo (Amaiur), Mariano Rajoy "não se recordou das pessoas", "não fez nenhuma referência sequer aos despejados".

"Demonstra uma falta de sensibilidade absoluta", afirmou.

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