Oposição alemã exige demissão imediata de ministra

A oposição alemã exigiu hoje a demissão imediata da ministra da Educação e Ciência, Annette Schavan, depois de a Universidade de Düsseldorf lhe ter retirado o título de doutora, por plágio de grande parte da tese.

"A senhora Schavan já não tem credibilidade como ministra. Deve arcar com as consequências. O padrão é o igual para todos", afirmou a secretária-geral do Partido Social-Democrata (SPD), Andrea Nahles, em declarações publicadas hoje pelo Die Welt.

A mesma ideia foi transmitida pela líder parlamentar dos Verdes, Renate Kühnast, que, em declarações ao jornal Tagesspiegel, afirma estar confiante de que Schavan se vai "poupar a si própria e à ciência de um prolongamento deste escândalo e que apresentará a sua demissão".

O Conselho Académico da Universidade de Düsseldorf, situada no oeste da Alemanha, declarou, esta madrugada, inválido o título obtido há 33 anos, tendo decidido - com 12 votos a favor, dois contra e uma abstenção - retirar o título de doutora à ministra, informou o presidente da entidade, o professor Bruno Bleckmann.

O Conselho da Faculdade de Filosofia considerou ter provado que Schavan, de 56 anos, incluiu "de forma sistemática e premeditada" na sua tese de doutoramento um trabalho intelectual que não é da sua autoria.

A ministra democrata-cristã, que se encontra na África do Sul em viagem de trabalho, vai recorrer da decisão, anunciaram os seus advogados.

O escândalo sobre a tese de Schavan ganhou relevo mediático em meados de outubro, quando o semanário Der Spiegel divulgou um relatório técnico que indicava que a tese, apresentada em 1980, com o título "Pessoa e Consciência", apresentava "características próprias de plágio".

Esta análise de um auditor ratificava as acusações lançadas meses antes a partir de um blogue anónimo, intitulado Caçadores de Plágios.

As suspeitas sobre a ministra sucedem ao caso protagonizado pelo ex-ministro da Defesa, o aristocrata bávaro Karl Theodor zu Guttenberg, que se demitiu em março de 2011, depois de reconhecer que tinha cometido "erros".

O caso de Guttenberg, a quem a Universidade bávara de Bayreuth (Baviera) retirou o título, gerou duras críticas no âmbito académico e político.

Entre as críticas mais devastadoras estiveram as da própria Schavan, que afirmara então que o caso a envergonhava, tanto como membro do Governo como pessoalmente.

Pouco depois do caso Guttenberg, a Universidade de Heidelberg, no sul alemão, retirou o título de doutora à deputada europeia do Partido Liberal (FDP), Silvana Koch-Mehrin, que na sequência renunciou à vice-presidência do parlamento Europeu, depois de se revelar que também tinha plagiado na sua tese.

Antes, também outro deputado europeu do FDP, Jorgo Chazimar-Kakis, tinha sido despojado do seu título de doutor pelas mesmas causas.

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